Obama pode prejudicar reeleição com alertas sobre economia
As advertências sombrias do presidente Barack Obama sobre a situação da economia dos EUA poderão se voltar contra ele ao minar o objetivo-chave de sua campanha de reeleição -- restaurar a confiança dos norte-americanos.
Em sua corrida para passar no Congresso o pacote de emprego de 447 bilhões de dólares para estimular as contratações, o presidente, do Partido Democrata, tem falado de uma emergência econômica que ele quer que o Congresso corrija mediante a aprovação de suas ideias para criar empregos.
Mas, quanto mais os norte-americanos se preocupam com a economia, menos dispostos estarão para gastar, o que põe em risco qualquer ponto positivo do programa de emprego de Obama.
O presidente também está tentando colocar o tom da opinião pública contra os republicanos ao cruzar o país para pressionar por uma economia norte-americana "mais justa".
Ele manifestou compreensão com o movimento Ocupem Wall Street, que protesta contra políticas tomadas durante a recessão que, segundo críticos, ajudaram bancos, mas deram pouco alívio para o desemprego elevado e a insegurança no trabalho.
Ao se posicionar ao lado da fúria do público contra os grandes bancos e pressionar por impostos mais elevados para os milionários, Obama pode tornar os norte-americanos mais infelizes sobre a ampla desigualdade de renda, o que prejudicaria sua tentativa de reeleição.
"Em tempos econômicos difíceis, otimistas ganham corridas presidenciais e pessimistas perdem. É muito difícil ser tanto populista quanto ter uma visão ensolarada sobre o futuro da América", disse Jim Kessler, vice-presidente de política na Third Way, uma instituição apartidária em Washington.
A confiança do consumidor dos Estados Unidos caiu no início de outubro com as preocupações com o declínio da renda derrubando as expectativas para o menor nível em mais de 30 anos.
Alguns ex-presidentes norte-americanos, como o republicano Ronald Reagan e o democrata Franklin Roosevelt, conseguiram se projetar além de tempos econômicos difíceis e vencer a reeleição apesar do desemprego elevado nos EUA. Obama precisa realizar o mesmo truque.
Ao enfrentar a depressão econômica dos anos 1930, Roosevelt "apelou para um amplo grupo representativo de norte-americanos ao mostrar-lhes que estava disposto a tentar qualquer coisa... vigor e determinação contam muito", avaliou Richard Parker, professor da Harvard Kennedy School of Government.
A Casa Branca afirma que Obama está simplesmente tentando ser direto com o país sobre os riscos que tem pela frente.
"É preciso ser honesto com o povo, obviamente, sobre o fato de que a economia está crescendo a um ritmo muito, muito lento, nós não estamos reduzindo consideravelmente o desemprego e temos a questão da Europa pesando", disse uma alta autoridade da Casa Branca a repórteres recentemente.
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