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Obama reduziu liberdade de imprensa, conclui relatório

Relatório aponta que jornalistas enfrentam dificuldade de acesso à informação, enquanto suas fontes se sentem inseguras e intimidadas sob a ofensiva do governo contra vazamentos

10 de outubro de 2013 | 23h 40
Cláudia Trevisan - Correspondente

A grande ampliação dos sistemas de vigilância e espionagem nos EUA e a determinação da Casa Branca de conter vazamentos de informação, controlando contatos de funcionários com jornalistas, transformou o governo de Barack Obama em um dos menos transparentes e mais hostis à imprensa da história recente do país. A conclusão está em um relatório do Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) divulgado nesta quinta-feira, 10.

O documento é a primeira análise ampla da entidade sobre o estado da liberdade de imprensa nos EUA, que são vistos como um modelo na área. Sua própria realização é um indício da deterioração do ambiente no qual jornalistas atuam - os outros países que mereceram relatórios neste ano foram Mianmar, Egito, Tanzânia, Paquistão, Irã e China.

O CPJ apresenta um cenário no qual jornalistas enfrentam dificuldade de acesso à informação, enquanto suas fontes se sentem inseguras e intimidadas sob a ofensiva do governo contra vazamentos. Outro agravante é a amplitude do sistema de vigilância da Agência Nacional de Inteligência (NSA, na sigla em inglês), revelada pelo ex-espião Edward Snowden.

"Não sabemos se a NSA coletou dados sobre jornalistas e seus contatos com fontes no governo, mas só a possibilidade de que isso ocorra assusta as fontes", disse ao Estado o autor do relatório, Len Downie, que trabalhou durante 44 anos no Washington Post, no qual foi editor executivo de 1991 a 2008.

Em pelo menos duas investigações de vazamentos, registros de telefonemas e e-mails de jornalistas foram obtidos pelas autoridades. No caso mais embaraçoso para o governo, as comunicações de mais de 100 jornalistas da Associated Press por um período de dois meses foram confiscadas. O objetivo era descobrir a fonte de reportagem sobre uma operação da CIA no Iêmen.

A situação atual contradiz a promessa de Obama de que seu governo seria o mais transparente e aberto da história dos EUA. Muitos jornalistas veteranos entrevistados para o relatório afirmam que nunca cobriram um governo tão fechado e controlador como o do democrata.

O governo criou um programa interno para coibir vazamentos e os funcionários dos serviços de inteligência passaram a ter de responder em detectores de mentiras a perguntas sobre eventuais contatos com a imprensa. Segundo Downie, o uso de polígrafos ocorria antes, mas era direcionado a investigações internas de contraespionagem.

Também foi intensificada a aplicação da Lei de Espionagem, de 1917, para punir os que entregam dados a jornalistas. Segundo o relatório, seis funcionários do governo e dois prestadores de serviço, entre os quais Snowden, foram alvo de processos criminais com base nessa legislação desde 2009, primeiro ano da gestão Obama. Em todos os governos anteriores, apenas três ações do tipo ocorreram.

"A maioria (das fontes) é dissuadida por causa dos processos de vazamento de informações. Estão morrendo de medo. Há uma zona cinzenta entre as informações classificadas e desclassificadas, e a maioria das fontes está nessa zona cinzenta", diz no relatório o repórter do New York Times, Scott Shane. "Se considerarmos que a cobertura agressiva da imprensa é um dos pilares da democracia americana, a balança se inclina significativamente em favor do governo."






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