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Obama se diz 'profundamente preocupado' com crise no Irã

Presidente americano pede respeito ao processo democrático; homem foi morto a tiros em protesto

15 de junho de 2009 | 19h 26
Agência Estado, AP e Reuters

Multidão protesta contra resultado de eleições em Teerã. Foto: AP

WASHINGTON - O presidente americano, Barack Obama, disse nesta segunda-feira, 15, estar "profundamente preocupado" pela violência pós-eleição no Irã. Segundo ele, a liberdade e o processo democrático devem ser respeitados na República Islâmica. Um homem foi morto a tiros e várias pessoas ficaram feridas nesta segunda em Teerã, durante um dos protestos contra a reeleição do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. De acordo com testemunhas, os tiros partiram de uma milícia pró-governo.

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Centenas de milhares de pessoas protestaram na praça Azadi (Liberdade) na área central da capital iraniana, em apoio ao líder reformista Mir Hossein Mousavi, que entrou com um pedido de anulação do sufrágio por fraude, no Conselho dos Guardiães. Formado por doze clérigos xiitas e juristas islâmicos, o corpo político disse que chegará uma decisão rápida sobre a eleição.

Mais cedo, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ordenou a abertura de uma investigação das denúncias de fraude feitas pelo presidenciável moderado Mousavi, informou nesta segunda-feira a televisão estatal da república islâmica. Um fotógrafo da agência Associated Press que estava na Praça Azadi viu uma pessoa ser morta a tiros e pelo menos duas outras serem atingidas pelos disparos.

O tumulto começou quando alguns manifestantes, indignados com a suposta fraude, jogou coquetéis Molotov contra um prédio de uma milícia ligada à poderosa Guarda Revolucionária do Irã. Alguns manifestantes tentaram invadir o prédio, mas milicianos armados no topo da construção começaram a disparar contra a multidão. O tumulto aconteceu em uma das extremidades da praça, longe da manifestação principal.

Fontes disseram à Associated Press que os tumultos irromperam em várias cidades do Irã, não apenas na capital. O governo dos Estados Unidos disse estar "profundamente preocupado" com os relatos de violência e detenções no Irã, disse o porta-voz do departamento de Estado, Ian Kelly. Os manifestantes desafiaram nesta segunda-feira uma ordem do ministério do Interior que proibiu passeatas e foram para o centro de Teerã.

A multidão, com muitas pessoas vestindo roupas verdes, marca da campanha de Mousavi - ocupou uma área de quase oito quilômetros e seu tamanho foi estimado em centenas de milhares de pessoas. "As pessoas acreditam que a inteligência delas foi insultada. Temos que usar os canais legais para reconquistar nossos direitos, parar com essa mentira e nos levantarmos contra a fraude", disse o opositor em discurso para a multidão.

"Vida longa a Mousavi", gritavam os manifestantes. "Nós queremos o nosso presidente, não alguém que foi imposto", disse Sara, uma iraniana de 28 anos que não deu o nome completo, temendo represálias das autoridades. Os protestos se espalharam para outras cidades do Irã. Fontes disseram que nesta segunda-feira centenas de partidários de Mousavi se manifestaram na cidade de Isfahan. Alguns dos manifestantes quebraram vidraças de delegacias de polícia.

REPRESSÃO

Na cidade de Meshed, uma das mais conservadoras do Irã, milhares de pessoas protestaram contra a eleição, reunidas em uma universidade. Na cidade de Shiraz, no sul do Irã, a polícia atirou para o alto e dispersou manifestantes pró-Mousavi. O general da polícia iraniana, Ali Moayeri, da província de Fars, disse aos repórteres que as forças de segurança foram "autorizadas a atirar. A partir de agora, responderemos de maneira rude."

Na cidade de Ahvaz, próxima à fronteira com o Iraque e habitada por árabes étnicos, cerca de duas mil pessoas protestaram, gritando: "Não queremos um ditador". A polícia reprimiu os manifestantes com golpes de cassetete e dispersou a multidão.

CONSELHO

O Conselho de Guardiães, formado por 12 clérigos xiitas e juízes islâmicos, é aliado ao aiatolá Khamenei, líder supremo do país. O Conselho precisará ratificar o resultado eleitoral e tem a aparente autoridade para anular a eleição. Mas isso seria um passo sem precedentes. Acusações de irregularidades foram feitas após a vitória de Ahmadinejad em 2005, mas não houve nenhuma conclusão e o resultado foi mantido. As eleições iranianas não são monitoradas por observadores internacionais.

A dramática intervenção de Khamenei nesta segunda-feira pode ganhar tempo, na esperança que a raiva contra Ahmadinejad diminua. A perspectiva de mais protestos e choques seria um pesadelo para a liderança xiita, que poderia ser forçada a aumentar a repressão e ver a fúria dirigida contra os teocratas.

No sábado, Khamenei instou o país a se unir sob Ahmadinejad e chamou o resultado de "avaliação divina". Pelo menos cem reformistas foram detidos pela polícia no sábado. Em Moscou, a Embaixada do Irã na Rússia informou que Ahmadinejad adiou a visita que deveria fazer nesta segunda-feira à capital russa. Ele estará em Moscou na terça-feira. Ele participaria como observador regional da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), bloco de países asiáticos liderado pela Rússia e pela China.



Tópicos: Irã, EUA, Ahmadinejad