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OEA dá 3 dias para Honduras restituir presidente deposto

Organização ameaça votar pela suspensão do país do grupo caso Manuel Zelaya não seja reconduzido ao poder

01 de julho de 2009 | 5h 54

 A Organização dos Estados Americanos (OEA) deu prazo de três dias para que o governo interino de Honduras devolva o poder ao presidente deposto, Manuel Zelaya, caso contrário, o país poderá ser suspenso do órgão. Segundo o secretário-geral da OEA, José Miguel Inzulza, se o governo interino não reconduzir Zelaya ao poder, a organização poderá votar pela suspensão de Honduras.

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Segundo a BBC, o golpe militar que derrubou Zelaya foi amplamente criticado por vários países e organismos internacionais. O presidente deposto disse que vai adiar por três dias o retorno ao país por conta do últimato da OEA. Na véspera, Zelaya afirmou que voltaria nesta quinta-feira, acompanhado da presidente argentina, Cristina Kirchner, e do presidente do Equador, Rafael Correa. "A OEA pediu 72 horas e estamos dispostos a apoiar essa decisão", afirmou Zelaya. O líder designado de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou que, se voltar ao país, Zelaya será preso ao desembarcar, sob a acusação de violar a Constituição.

A tentativa de Zelaya de convocar um referendo para alterar a Constituição e permitir sua reeleição é vista como uma das causas para o golpe. O presidente deposto também é acusado de ter ligações com o crime organizado e traficantes de drogas.

Na terça-feira, a Assembleia Geral da ONU condenou o golpe militar por aclamação, pedindo que Zelaya seja reconduzido ao poder ''imediatamente e incondicionalmente''. Em uma resolução aprovada de forma consensual, a ONU pediu ''com firmeza e categoricamente, que todos os países não reconheçam outro governo que não seja o de Zelaya''. Zelaya foi deposto no último domingo. Tropas militares invadiram o palácio presidencial e obrigaram o presidente hondurenho a embarcar às pressas, ainda de pijamas, para a Costa Rica, onde se exilou.

Protestos


Em Tegucigalpa, ocorreram manifestações tanto de partidários do governo de facto quanto do deposto. Cerca de 5 mil hondurenhos protestaram contra Zelaya em uma das mais importantes praças da capital. Já os simpatizantes do presidente removido se concentraram em uma região próxima à residência presidencial. Mas a mídia local dava destaque apenas aos protestos contrários a Zelaya.

Restaurantes e redes de fast-food foram depredados nos últimos dias. O Hotel Marriott, considerado o mais luxuoso da capital, fechou por questões de segurança. Pichações por toda a cidade condenavam o golpe. Os soldados formavam correntes de segurança e armavam barricadas para tentar conter os manifestantes pró-Zelaya.

Muitas avenidas foram bloqueadas e havia pneus queimados por toda a cidade. Alguns manifestantes vestiam capacetes para enfrentar a polícia. Outros cobriam o rosto com máscaras distribuídas recentemente para conter a gripe suína. Um lenço vermelho também se tornou simbólico.

"Você precisa mostrar ao Brasil o que está ocorrendo aqui em Honduras", disse uma mulher de um movimento feminista que defendia o retorno de Zelaya. As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenando a deposição de Zelaya tiveram destaque até em jornais ligados ao governo de facto, como o El Heraldo.

Participavam do protesto estudantes de classe média, jovens vestidos como boiadeiros, grupos feministas e sindicalistas. No avião de Atlanta para Tegucigalpa, o comandante anunciou que 40 missionários americanos cancelaram a viagem por causa do golpe e os passageiros poderiam ocupar as poltronas livres. O comissário de bordo, hondurenho, reclamou em voz alta que "os EUA não entendem que a população de Honduras não quer um Hugo Chávez no poder". O mesmo discurso foi usado por parlamentares em entrevistas em emissoras hondurenhas. No avião, o comissário foi vaiado por alguns passageiros.

História do golpe

Nos últimos meses, a relação de Zelaya com o Congresso, a Suprema Corte e as Forças Armadas se deteriorou bastante. Eleito com uma plataforma conservadora, o presidente deposto aos poucos se aproximou de Chávez e de outros governos de esquerda da América Latina. Além disso, tentou promover um referendo para permitir a reeleição presidencial.

Sem acordo, os militares, amparados pelo Congresso e membros do Judiciário, organizaram o golpe e, na madrugada de domingo, retiraram o presidente da cama, de pijama, e o enviaram para a Costa Rica. Foi o primeiro golpe militar na América Central em 16 anos.

O governo autoproclamado diz ser amigo dos EUA e culpa a amizade de Zelaya com Chávez pela crise. O presidente americano, Barack Obama, porém, já afirmou que considera a situação do país "ilegal". Em entrevista à agência Associated Press, o presidente de facto disse ontem que não deixará o cargo, apesar da pressão internacional. "Fui nomeado pelo Congresso, que representa o povo hondurenho", declarou Micheletti.

Texto atualizado às 11h05.

(Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)



Tópicos: OEA, Honduras