OEA espera que decisão ajude a acabar com embargo cubano
Organização revoga suspensão de 1962 e abre caminho para a volta de Cuba ao bloco de Estados americanos
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Jose Miguel Insulza, afirmou nesta quinta-feira, 4, esperar que a revogação da resolução que excluiu Cuba do organismo em 1962 ajude a acabar com o embargo comercial que os Estados Unidos sustentam contra a ilha.
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A moção foi aprovada na quarta-feira por consenso na 39ª Assembleia Geral da OEA, em Honduras, e tem apenas dois artigos. O primeiro diz que "fica sem efeito" a resolução de 1962, que expulsou Cuba com o argumento de que o sistema marxista da ilha e o fato de ela receber armas da União Soviética eram uma ameaça para a região. O segundo estabelece que, para os cubanos de fato voltarem à OEA, deve ser aberto um "processo de diálogo" por iniciativa de Havana "e em conformidade com as práticas, propósitos e princípios da organização".
"Espero que a medida contribua para o fim do embargo contra Cuba", afirmou Insulza em entrevista a uma rádio chilena. "O governo do presidente Barack Obama vai iniciar o diálogo recente, já foram tomadas algumas medidas, mas não há dúvidas de que essa é uma área eternamente pendente". O chefe da OEA disse ainda que, ainda que a resolução não estabeleça condições para o retorno de Cuba, existem obrigações para todos os países e "eles devem examinar tudo o que ocorreu nestes 47 anos e decidir se querem ou não fazer parte". Insulza assinalou que não há previsões de falar com o governo cubano por enquanto, e que Havana decidirá se fará parte do bloco ou não.
O governo cubano descartou nesta quinta-feira, que pretenda retornar à Organização dos Estados Americanos (OEA). Apesar disso, declarou que a decisão tomada no dia anterior pelo grupo, de levantar uma exclusão a Havana que durava 47 anos, era uma "grande vitória". O chefe o Parlamento, Ricardo Alarcón, afirmou que não sabe o motivo pelo qual Insulza disse esperar que o acordo contribua para o fim do embargo aplicado por Washington.
Na véspera, em comunicado, Havana saudou a decisão de revogar "sem condições", a suspensão de Cuba da organização. Mas reiterou que o país não quer retornar à OEA, que as autoridades cubanas já qualificaram de "cadáver pestilento". "Cuba não pediu nem quer retornar à OEA, cheia de uma história tenebrosa e entreguista, mas reconhece o valor político, o simbolismo e a rebeldia que entranha essa decisão impulsionada pelos governos populares da América Latina", acrescentou o comunicado. Segundo o governo cubano, "apesar das pressões, condicionamentos e manobras dos EUA, a força formidável da América Latina que está nascendo tornou possível o desagravo, a retificação histórica, a condenação implícita ao desonroso passado".
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