Ofensiva israelense deve sepultar esforço de paz
Diante dos sinais de que a campanha israelense será dura e longa, violência pode atingir níveis mais altos
O ataque aéreo de Israel na Faixa de Gaza envia o sinal de que a violência em níveis mais altos deve voltar a permear o conflito entre israelenses e o movimento radical Hamas, restrito nos últimos nove meses ao confronto verbal e aos disparos de foguetes por parte dos extremistas palestinos. O processo de paz na região, já em estado terminal nos últimos dias do governo americano de George W. Bush, pode ser definitivamente sepultado com a nova onda de violência. Vários fatores apontam para a deterioração da situação que se segue à expiração do acordo de cessar-fogo, uma semana atrás.
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O Ministério da Defesa de Israel assinala que está pronto para empreender ações mais abrangentes contra o Hamas em Gaza, incluindo o assassinato seletivo de líderes do grupo, e tem deixado claro que se prepara para uma campanha potencialmente longa. "Enfrentaremos um período que não será fácil nem curto e exigiremos (das tropas) determinação e perseverança até que conquistemos as mudanças necessárias para controlar a situação no sul", disse o ministro da Defesa, Ehud Barak.
O Hamas, logo depois do início da ofensiva, pediu vingança, exortando "todos os combatentes a responder à agressão sionista". O grupo não especificou quais seriam essas ações, mas um combatente revoltado com a visão dos corpos de seus camaradas pode ganhar incentivo para explodir-se em cafés, restaurantes e ruas de Israel. "Todas as opções da resistência palestina para atacar o inimigo sionista estão abertas", declarou o Hamas.
Os radicais do Hamas dispararam uma salva de foguetes contra o território israelense, matando uma mulher. Nos últimos dois meses, os quase artesanais e pouco precisos foguetes do Hamas vinham causando poucos danos do lado israelense. Mas os extremistas poderiam ter foguetes de mais longo alcance, capazes de atingir a cidade costeira israelense de Ashkelon.
A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, que espera derrotar os falcões da linha dura israelense – como o ex-premiê Binyamin Bibi Netanyahu, do Likud – nas eleições de fevereiro, tem reiterado que o controle da Faixa de Gaza pelo Hamas deve terminar, uma vez que os radicais nunca estarão dispostos à paz.
Os bombardeios israelenses causaram ódio e revolta não só em Gaza, mas em todas as áreas palestinas. Militantes palestinos de Jerusalém Oriental, Ramallah e Hebron (as duas últimas, sob controle da Autoridade Palestina, na Cisjordânia) iniciaram seus protestos no sábado, 27, e o presidente palestino, Mahmud Abbas (do Fatah, facção rival do Hamas), condenou a ofensiva e exigiu "o fim imediato da agressão".
A Faixa de Gaza é a arena mais sangrenta de um conflito militar que pode ir além de suas fronteiras. Alguns analistas militares não descartam a possibilidade do que chamam de "guerra proxy" – um conflito no qual as partes se utilizam de terceiros – na região entre regimes árabes moderados, como o Egito, e Estados de linha dura, como o Irã e a Síria, que apóiam o Hamas.
Como conseqüência de uma longa batalha em Gaza, o Fatah de Abbas pode perder força e tornar-se politicamente marginalizado entre os palestinos.
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