ONGs e Igreja lutam para dar dignidade aos clandestinos
Lei mais dura pode levar ilegais a deixar filhos em orfanatos, que são obrigados a dar identidade a eles
Se grande parte da população italiana reprova a presença de imigrantes ilegais o país, uma fatia importante da sociedade civil se levanta para garantir a dignidade dos estrangeiros. Espalhadas pelas maiores cidades do país, como Roma, Milão, Turim e Nápoles, e também presente em pontos nevrálgicos, como as ilhas da Sicília e de Lampedusa, a Igreja Católica e militantes de ONGs montam uma resistência pacífica às medidas do governo.

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Enquanto o embate político é feito por organismos como o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) e a Organização Internacional para a Migração, o trabalho social em favor dos clandestinos é o centro das atenções da Pastoral do Imigrante da Igreja Católica.
Em todo o país, religiosos lutam por bandeiras, como a regularização de estrangeiros sem documentos e a abertura de mesquitas nas metrópoles, para permitir o exercício religioso por muçulmanos, em especial marroquinos. A Liga Norte, partido de extrema direita que integra o governo do premiê Sílvio Berlusconi, vem reiterando seu veto à construção de mesquitas em cidades como Milão, posição tida como islamofóbica por seus críticos.
"A metade dos estrangeiros que auxiliamos é de muçulmanos. Somos católicos, mas não fazemos distinções de raça, cor ou credo", diz frei Olivero, há 30 anos responsável pela Pastoral do Migrante de Turim. "Existe uma aversão aos estrangeiros por parte de grupos políticos, mas também há muitas pessoas trabalhando pelo bem-estar deles."
Prova disso são as ONGs espalhadas pelo país. Save the Children, uma "multinacional" de proteção da infância, trabalha nas frentes mais duras em favor dos imigrantes. "A situação política piorou muito desde março em função das leis aprovadas pelo governo Berlusconi e por causa da diretiva de retorno da União Europeia", diz Carlota Berlini, diretora da instituição na Itália.
Outra ONG que ajuda os ilegais é a Federação Internacional Terra dos Homens. Depois de lançar um manifesto contra o "delito de imigração", Rafael Salinari, presidente da organização, agora se empenha em lutar contra a lei que, desde 8 de agosto, impede que pais estrangeiros em situação irregular registrem seus filhos na Itália.
"Essas crianças não têm nome. É inaceitável que um país europeu proíba crianças de seu direito mais elementar, o de ter uma identidade", disse.
Segundo Salinari, se nada mudar, a Itália assistirá a uma onda de doação de crianças a orfanatos. "Paradoxalmente, o abandono vai torná-las cidadãs com direito a registro civil, acesso à saúde e educação, direitos hoje negados." Nas maiores cidades do país, não só as ONGs protestam. Nos muros de Turim, é possível encontrar pichações contra a política italiana de imigração, acusada de racista.
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