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ONU e comunidade internacional se mobilizam para ajudar Chile

Organização se mobiliza após pedido formal do governo chileno; Argentina, China e Japão anunciam auxílio

01 de março de 2010 | 11h 16
estadao.com.br

 

GENEBRA- A ONU informou que concentrará esforços no envio de ajuda humanitária ao Chile. Nesta segunda-feira, 1º, o país sul-americano pediu oficialmente o auxílio do organismo internacional, pouco mais de dois dias após ser atingido por um terremoto de magnitude 8,8 na madrugada do sábado que deixou mais de 700 mortos.

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A porta-voz humanitária da ONU, Elisabeth Byrs, confirmou que as autoridades chilenas fizeram um pedido formal de ajuda. A representante assegurou que o organismo está "pronto para tomar as ações necessárias".

Funcionários da Organização Mundial da Saúde, órgão da ONU, disseram esperar que a presidente chilena, Michelle Bachelet, coordene a ajuda a ser enviada ao país e indique para onde os grupos humanitários e outros países devem direcionar seus esforços. Segundo o órgão, há mais de meio milhão de construções afetadas.

Antes mesmo de o Chile pedir ajuda, porém, grupos internacionais de assistência humanitária e outros países já anunciaram o envio de dinheiro, especialistas ou equipes médicas ao país. A Cruz Vermelha disse que há voluntários prestando os primeiros socorros em zonas devastadas pelo tremor. A organização ainda pediu doações em dinheiro de dentro do Chile para ajudar os afetados pela tragédia, um número estimado em dois milhões (cerca de um oitavo da população chilena). Foram liberados US$ 280 mil pela própria fundação para o Chile.

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A Argentina, por meio de seu embaixador no Chile, Gines González García, antecipou que seu país enviará "dois ou três hospitais de campanha, já que um dos problemas graves da tragédia é que na zona mais afetada, o centro-sul, dez centros de assistência estão inoperantes". "Há muitas necessidades de cirurgia e traumatologia", disse o diplomata, citado pelo diário chileno La Nación.

García acrescentou que os hospitais de campanha levam seus próprios geradores, mas outros equipamentos de fornecimento de energia também serão enviados dados os problemas na rede elétrica chilena.

Sobre os entre 800 e mil argentinos que ficaram Buenos Aires, o embaixador disse que as Aerolíneas Argentinas fretaram um voo no domingo para levá-los até a província de Mendonza, que faz fronteira com o Chile. "Até o momento, não há informações sobre cidadãos argentinos entre as vítimas", disse García. O governo chileno contabilizou até o momento 711 mortos, mas assegurou que esse número deve aumentar.

Por parte do Brasil, o presidente Lula disse que quer discutir com a presidente do Chile, Michelle Bachelet, formas de ajudar o país após o terremoto ocorrido no sábado. "Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para sermos solidários ao Chile, como estamos sendo solidários ao Haiti", disse ele, no programa semanal de rádio "Café com o Presidente".

Por enquanto, já foi confirmado o envio de um hospital de campanha da Marinha e equipes de busca e salvamento. A data, local de embarque e área de destino serão definidos ainda com o governo chileno. A informação é do Gabinete de Segurança Institucional, que se reuniu nesta segunda para discutir as medidas de apoio às vítimas do terremoto no país andino.

A ajuda a ser enviada pela Bolívia consiste em 60 toneladas de água, alimentos e remédios, segundo informaram fontes do governo de Evo Morales. O vice-presidente, Álvaro García Linera, deu a ordem para que fossem preparados "voos de ajuda humanitária para o povo irmão do Chile, que nestes dias está vivendo uma catástrofe terrível".

"Alimentos, águas, remédios, o que for necessário. Estamos dispostos a isso, e nas próximas horas a chancelaria vai nos informar sobre o que mais é preciso entre as necessidades da população chilena", disse o vice. A Bolívia ainda vai enviar um novo cônsul a Santiago para coordenar a chegada da ajuda.

Europa

A União Europeia anunciou o envio de um módulo de assistência médica e outro de ajuda técnica ao Chile. O bloco ainda estuda ampliar o apoio nos setores em que recebeu pedidos do país sul-americano, como pessoal de resgate, assistência médica, construção civil, água potável e telecomunicações.

A equipe que inicialmente irá para o Chile é composta de 13 especialistas técnicos para avaliar com detalhes as necessidades do Chile, e espera-se que outros países europeus enviem mais pessoal, disseram fontes do bloco.

A chefe de política externa da União Europeia, Catherine Ashton, disse que a comissária de ajuda humanitária do grupo, Kristalina Georgieva, "está preparada e viajará ao Chile se necessário". Kristalina se encontra no Haiti atualmente, onde um terremoto de magnitude 7 devastou a capital Porto Príncipe no dia 12 de junho.

Catherine conversou no sábado com o ministro de Exteriores chileno, Mariano Fernández, e disse confiar completamente nas autoridades do país, que demonstraram ter o controle da situação. "O Chile é um país com boa organização e serviços que entraram em ação bem rápido", disse a diplomata.

Japão e China

Os governos do Japão e da China anunciaram que enviarão uma ajuda de US$ 4 milhões ao Chile. O Japão enviará US$ 3 milhões e também deve fornecer uma equipe médica e suprimentos de emergência estimados em 30 milhões de ienes (US$ 336 mil). Entre os itens enviados haverá tendas, purificadores de água e geradores de eletricidade, segundo o chefe-de-gabinete do governo, Hirofumi Hirano. O Japão, que sofre aproximadamente 20% dos terremotos mais poderosos registrados, geralmente oferece auxílio às vítimas dos tremores pelo mundo.

Já a China anunciou em comunicado postado no site do Ministério do Comércio, que doará US$ 1 milhão ao Chile para ajudar com os esforços humanitários emergenciais. O presidente chinês, Hu Jintao, enviou uma mensagem à presidente do Chile, Michelle Bachelet, oferecendo assistências e expressando pesar pela tragédia, informou Pequim no domingo.

Além das centenas de mortes, o terremoto causou sérios danos à infraestrutura chilena. A China, que sofreu um forte terremoto na província sudoeste de Sichuan, em 2008, enviou dezenas de funcionários do setor de saúde ao Haiti para ajudar após o devastador terremoto no país em janeiro. As informações são da Dow Jones.

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(Com Efe, AP e Reuters)