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ONU retira convite para Irã participar de conferência de paz sobre a Síria

Sob pressão dos Estados Unidos, Ban Ki-moon desfaz convite anuciado na noite de domingo

20 de janeiro de 2014 | 19h 22
Jamil Chade, correspondente em Genebra

GENEBRA - Pressionada pelos EUA, a ONU retirou nesta segunda-feira, 20, o convite que havia feito para o Irã participar de Genebra 2, conferência de paz sobre a Síria marcada para quarta-feira. No entanto, a crise aberta hoje quase levou o encontro ao fracasso e acabou enfraquecendo a reunião que tem como objetivo negociar um acordo de paz para o conflito que já matou mais de 130 mil pessoas e tem o potencial de redesenhar o Oriente Médio se não for interrompido.

Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, desconvidou o Irã para Genebra 2 - Emmanuel Dunand/ONU/AP
Emmanuel Dunand/ONU/AP
Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, desconvidou o Irã para Genebra 2

A decisão do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de convidar o Irã abriu uma crise diplomática. Para estar na mesa com os demais negociadores, o Irã teria de aceitar os princípios da primeira conferência de paz de Genebra, de 2012, quando foi definido que um regime de transição seria estabelecido na Síria e que oposição e governo falariam diretamente entre si.

Nesta segunda-feira, Teerã se recusou a aceitar esse princípio. "Rejeitamos qualquer precondição para participar da conferência", declarou a chancelaria iraniana. Aliados de Assad, os iranianos não previam sua participação para legitimar a saída do líder sírio. "Não fomos à primeira conferência de Genebra e rejeitamos qualquer demanda de aceitar o acordo fechado naquele momento", declarou à agência iraniana Mehr o vice-chanceler, Hossein Abdollahian.

Ali Larijani, presidente do Parlamento iraniano, foi enfático. "As condições teriam de ser colocadas sobre aqueles que apoiam o terrorismo, não ao Irã", disse, numa referência aos sauditas. Momento depois, o governo dos EUA exigiu que Ban retirasse o convite feito aos iranianos. A ONU sempre considerou que a participação da República Islâmica num acordo de paz sobre a Síria seria fundamental para que o projeto pudesse sobreviver.

Mas iniciativa deixou americanos, europeus, sauditas e a oposição síria em um estado de alerta. Na prática, o que Washington quer é que a conferência comece com a garantia de que um governo de transição será montado - uma forma de afastar Bashar Assad, mas algo que o Irã não estava disposto a aceitar.

"As ações do Irã agravaram as tensões. Portanto, não vemos como a participação na conferência seria útil", declarou o Departamento de Estado norte-americano. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, falou com Ban Ki-moon para pressioná-lo a retirar o convite.

William Hague, secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha, também cobrou uma mudança de posição dos iranianos como condição para a participação de Londres. "Nossa opinião é que os iranianos não devem ser convidados", declarou o embaixador britânico na ONU, Mark Grant.

A oposição síria também indicou que se recusaria a ir para Montreux se o Irã fosse mantido na lista de convidados sem aceitar os termos de Genebra 1.

Já o chanceler russo, Sergey Lavrov, atacou as ameaças feitas pelo Ocidente e pela oposição. "Deixar o Irã de fora seria um erro imperdoável", disse. "Negociar implica sentar à mesa não apenas com aqueles que você gosta, mas com aqueles cuja solução depende de sua participação", insistiu.

No começo da noite de hoje, porém, a ONU anunciou que em razão da negativa do Irã em endossar o acordo de Genebra 1, estava cancelado o convite feito para o país participar do encontro desta semana. "Ele continua a exortar o Irã a se juntar ao consenso global por trás do comunicado de Genebra", disse o porta-voz de Ban, Martin Nesirky. "Dado que o Irã escolheu permanecer fora desta compreensão básica, Ban decidiu que a reunião de um dia em Montreux prosseguirá sem a participação do Irã."

Enquanto a crise ganhava terreno, coube à Assad dar uma demonstração de que o processo na Suíça promete ser dos mais complexos. Numa entrevista à AFP, ele alertou que a conferência deveria se focar "na guerra contra o terrorismo" e alertou que a ideia de compartilhar o poder seria "totalmente irrealista". Assad ainda apontou que se candidataria para as eleições presidenciais em junho.






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