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Operação de Cristina Kirchner termina com sucesso, diz porta-voz

Segundo a Casa Rosada, presidente argentina teve a tireoide totalmente removida; novo relatório sai amanhã

04 de janeiro de 2012 | 16h 51
Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires

BUENOS AIRES – Depois de horas de expectativa, o porta-voz da Casa Rosada, Alfredo Scoccimarro anunciou que a operação para remover um tumor da tireoide da presidente Cristina Kirchner, realizada nesta quarta-feira, 4, foi um sucesso. "A cirurgia foi realizada sem inconvenientes nem complicações", disse Scoccimarro, que também explicou que Cristina havia acordado pouco depois da operação.

Apoiadora de Cristina Kirchner espera por notícias no lado de fora do hospital - Marcos Brindicci/Reuters
Marcos Brindicci/Reuters
Apoiadora de Cristina Kirchner espera por notícias no lado de fora do hospital

A cirurgia durou 3 horas e meia, de acordo com o porta-voz. Segundo ele, a presidente deverá permanecer internada ao redor de 72 horas no hospital Austral, localizado na cidade de Pilar, na Grande Buenos Aires. Scoccimarro disse ainda que o próximo relatório médico será anunciado na quinta-feira às 13h (horário de Brasília).

O porta-voz indicou que a equipe, formada por oito médicos, removeu a totalidade da tireoide da presidente. Segundo ele, Cristina Kirchner só poderá falar 48 horas após a operação.

Segurança reforçada

Ao todo, cinco forças de segurança – a Polícia Federal, a da capital, Buenos Aires, a Gendarmería, o Grupo Halcón (serviço especial de franco-atiradores) e guarda-costas da presidência – estão espalhados na área do hospital para evitar eventuais atentados contra Cristina.

Além da segurança, que incluiu soldados nos telhados do hospital administrado pela Opus Dei, o local estava repleto de integrantes do governo Kirchner, entre os quais ministros, secretários e diretores das estatais, além de parlamentares.

Para a política argentina, este cenário é uma novidade, já que pela primeira vez em nove anos um Kirchner não estará no comando direto do país. Nas ocasiões em que o então presidente Néstor Kirchner (2003-2007) esteve internado, sua mulher, a então primeira-dama Cristina, estava cuidando do patrimônio político do casal.

Quando Cristina teve desmaios, precisando de vários dias de repouso, Kirchner tomava as rédeas do governo. No entanto, desde a morte do marido, em outubro de 2010, a presidente Cristina ficou sozinha.

Recuperação

Após sair da internação, Cristina passará o resto de sua licença médica de 20 dias no casarão que possui no vilarejo de El Calafate, na Patagônia. No entanto, especula-se no âmbito político que Cristina poderia passar o período de licença na residência presidencial de Olivos, na zona norte da área metropolitana da capital argentina.

Diversos representantes da oposição, entre eles o deputado Ricardo Alfonsín, ex-candidato presidencial da União Cívica Radical (UCR), enviaram seus desejos de uma rápida recuperação à presidente Cristina.

'Manobra Lula'

A doença de Cristina deu início a um debate inesperado sobre a sucessão presidencial, assunto que era considerado tabu nas fileiras do governo Kirchner. A presidente, a rigor, não pode ser reeleita para um novo mandato, já que a Constituição argentina impede uma segunda reeleição consecutiva.

Ela foi eleita em 2007 e, à sombra da morte do marido, reeleita em 2011. Ela foi reconduzida ao cargo, em seu seu segundo mandato, no dia 10 de dezembro. Mas, apesar desse impedimento, o kirchnerismo carece até o momento de um sucessor presidencial de peso para Cristina.

Os analistas afirmam que seu vice-presidente, Amado Boudou, não possui base política própria, e portanto, só seria respaldado pelo peronismo como candidato à sua sucessão em 2015 em caso extremo. Eles também afirmam que, caso a presidente consiga manter sua popularidade elevada nos próximos anos, o plano seria implementar a "manobra Lula", como ficou conhecida em Buenos Aires a estratégia do ex-presidente brasileiro de eleger sua "cria", Dilma Rousseff, e manter influência no governo do sucessor.

No entanto, também existem movimentos dentro do kirchnerismo a favor daquilo que a deputada Diana Conti chama de "Cristina Eterna". Isso seria possível com a realização de uma reforma constitucional que permita a eventual segunda reeleição da presidente.