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Oposição venezuelana promete resistir às ocupações de Chávez

Presidente determinou que portos e aeroportos de Estados opositores sejam tomados pelo Exército

16 de março de 2009 | 19h 36

Os governadores venezuelanos da oposição rejeitaram nesta segunda-feira, 16, acatar a ordem do presidente Hugo Chávez que estabelece que os militares tomem portos e aeroportos do país, enquanto as autoridades regionais oficialistas saudaram a medida. "Não temos medo. Podem ter tanques e navios, mas nós temos a união do povo", disse Pablo Pérez, governador do Estado de Zulia, no noroeste de país, onde fica Maracaibo, principal porto de exportação de petróleo.

Efe
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Militar venezuelano guarda porto em Carabobo

A medida de centralização de Chávez foi anunciada no domingo. Ele afirmou ter dado ordens para navios da Marinha tomarem o controle de Maracaibo e Porto Cabello, o mais movimentado do país, ainda esta semana. Os três principais portos venezuelanos ficam em Estados controlados por governadores oposicionistas - Carabobo, Zulia e Nova Esparta.

O presidente ameaçou prender quem tentar impedir a troca de comando. "O governador de Zulia (Pérez) disse que defenderá o porto de Maracaibo. Bom, acabará preso", afirmou em seu programa de rádio e TV semanal Alô, presidente. Segundo Chávez, os portos estão dominados por "máfias regionais" e narcotraficantes. "É um tema de segurança nacional", justificou . "Vamos recuperar os portos e aeroportos de toda a República, essa é a lei."

Os governadores e prefeitos da oposição pediram ao Supremo Tribunal de Justiça do país que suspenda a ordem de Chávez. "Ninguém entende o porquê da aplicação da força. A Constituição não pode ser violada nem por meio de uma lei inconstitucional nem por meio do uso da força", disse o governador do Estado de Carabobo, Henrique Salas Feo, ao se apresentar à Corte para pedir a suspensão da tomada de Puerto Cabello.

Na semana passada, deputados leais a Chávez aprovaram uma reforma na Lei de Descentralização, dando ao Executivo o poder de retirar dos governos locais o controle de portos, aeroportos e estradas. Com a alteração, Estados e municípios não podem mais recolher impostos sobre meios de transporte.

A oposição acusa o presidente de tentar asfixiar economicamente governadores e prefeitos contrários a ele. O governo central alega que portos e aeroportos têm "importância estratégica" para o país e diz que a oposição usa o domínio sobre eles para isolar Chávez e desmontar seus programa sociais.

O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou à emissora Rádio Unión que "se prenderem Salas Feo, prenderão todos nós, mas isso não nos dá medo". Ledezma pediu a Chávez que respeite os resultados das eleições regionais de 2008, que deram à oposição o governo de cinco dos 23 Estados do país e a prefeitura da capital venezuelana.

O governador de Anzoátegui, Tarek William Saab, oficialista, descartou que a tomada dos portos represente uma violação da Constituição e disse que o que se procura com a medida é "uma co-responsabilidade do Executivo e dos governos estaduais" sobre os portos.

Tópicos: Venezuela, Hugo Chávez

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