Otan admite morte de crianças em bombardeio no Afeganistão
Em 2011, ataques da aliança fizeram mais de 3 mil vítimas civis no país
CABUL - As forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão admitiram nesta segunda-feira, 13, que crianças foram mortas por engano em um bombardeio que enfureceu o governo local, na quarta-feira passada, perto da localidade de Giawa (leste).
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Incidentes semelhantes já haviam anteriormente causado tensões entre a Otan e o governo afegão. Nos últimos cinco anos, o número de civis mortos no Afeganistão subiu.
No caso da semana passada, as crianças foram mortas enquanto forças aéreas e terrestres da Otan atacavam insurgentes em um descampado, segundo o general Carsten Jacobson, porta-voz da Isaf (força da Otan e de seus aliados no Afeganistão).
Ele disse que não é possível estabelecer se a morte das crianças teve relação com o combate aos insurgentes. "Não obstante, qualquer morte de inocentes não associados ao conflito armado é uma tragédia", afirmou Jacobson a jornalistas.
O governo afegão exibiu horripilantes fotos de oito meninos, dos quais sete teriam idades entre 6 e 14 anos, e um teria cerca de 18 anos. Autoridades locais disseram que o grupo foi bombardeado duas vezes, enquanto pastoreava ovelhas na neve e acendia uma fogueira para tentar se aquecer.
"Onde estão os direitos dessas crianças, que foram violados? Eles tinham direitos ou não? Eles tinham direito de viver como parte da comunidade mundial", disse o parlamentar Mohammad Tahir Safi, encarregado pelo presidente Hamid Karzai de ir à região investigar o incidente.
Safi disse ter apurado com autoridades afegãs na localidade de Kapisa, a nordeste de Cabul, que soldados franceses na área tiveram negado um pedido de apoio aéreo na região, mas que mesmo assim os bombardeios ocorreram.
Jacobson disse que a operação contra os insurgentes ocorreu de acordo com as regras da Otan para bombardeios, que foram endurecidas e revistas por pressão do governo local.
O governo afegão diz que o ataque em Kapisa e um bombardeio recente na província de Kunar, que matou sete civis, fizeram com que as pessoas nessas duas regiões exigissem restrições às operações da Otan até as potências estrangeiras retirarem suas forças de combate do Afeganistão, o que deve ocorrer antes do final de 2014.
A ONU disse neste mês que o número de civis mortos e feridos na guerra do Afeganistão subiu pelo quinto ano consecutivo, passando de 2.790 mortes em 2010 para 3.021 no ano passado. Segundo a ONU, insurgentes causam a maior parte das mortes, mas o número de vítimas entre civis por causa de bombardeios da Otan teve alta de 9%, chegando a 187.
Paralelamente, dois meninos de 10 anos foram detidos no domingo na província de Kandahar (sul) preparando-se para cometer atentados suicidas contra forças afegãs e estrangeiras, segundo autoridades provinciais. Esses dois meninos estavam em um grupo que recebera perdão do presidente Hamid Karzai em agosto passado.
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