Papa alerta Itália para a volta do fascismo, diz jornal
Governo de Berlusconi tenta conter danos após Bento XVI expressar preocupação com casos de racismo
O governo do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi se envolveu nesta segunda-feira, 18, em uma operação de contenção de danos depois que o papa Bento XVI arranhou a autoridade moral do premiê especulando que a Itália corre perigo da volta do fascismo com a linha dura do magnata, informou o jornal britânico The Guardian. No domingo, o pontífice mostrou preocupação com os "recentes exemplos de racismo" e lembrou os católicos da responsabilidade de manter a sociedade longe da "intolerância e exclusão." O anúncio apareceu em meio a controvérsia criada após uma importante revista católica, Famiglia Cristiana, publicar um editorial que condenava as recentes medidas do governo contra imigrantes. A publicação afirmou ainda que espera que o fascismo "não ressurja no país de outro modo". Segundo o Guardian, o texto irritou os apoiadores de Berlusconi, já que muitos deles são católicos fiéis. O líder do grupo parlamentar de Berlusconi na Câmara Alta, Maurizio Gasparri, anunciou que poderá processar o editor da Famiglia Cristiana, enquanto o ministro para assuntos de família, Carlo Giovanardi, afirmou que a revista está "tomada por malícia ideológica", de acordo com o jornal. Em um esforço para contornar a situação, o Vaticano declarou, por meio de seu porta-voz, que a revista não representa a "linha da Santa Sé nem da Conferência Episcopal Italiana (CEI)" e que "suas posições são de responsabilidade de sua direção." Os comentários do papa, no entanto, pareceram ir contra esta declaração do Vaticano, e foi interpretada pelos críticos como um sinal de que a Santa Sé não está se distanciando da interpretação da revista, destaca o diário britânico. O editor da Famiglia Cristiana, padre Antonio Sciortino, afirmou ao Guardian que o papa "certamente estava falando sobre o mundo todo e também sobre a Itália, onde há muitos sinais de racismo que não podem ser escondidos". Em junho, a revista criticou duramente que o plano do governo de Berlusconi de tirar impressões digitais das crianças de Roma, dizendo que o projeto era "indecente."
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