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Paralisia da ONU encoraja repressão na Síria, diz Navi Pillay

Comissária de Direitos Humanos pede ao Conselho de Segurança medidas mais duras contra Assad

13 de fevereiro de 2012 | 21h 11

NOVA YORK - O fracasso do Conselho de Segurança da ONU em impor sanções ao governo da Síria encorajou o regime de Bashar al-Assad a promover um "ataque total para esmagar a oposição", disse nesta segunda-feira, 13, a Alta Comissária de Direitos Humanos, Navi Pillay.

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Comissária de Direitos Humanos pede ao Conselho de Segurança medidas mais duras - Jason DeCrow/AP
Jason DeCrow/AP
Comissária de Direitos Humanos pede ao Conselho de Segurança medidas mais duras


Falando à Assembleia Geral da ONU, Pillay fez fortes críticas ao Conselho de Segurança, que na última semana não conseguiu impor sanções ao governo de Damasco após Rússia e China vetarem a proposta de uma resolução.

Segundo Pillay, a falta de consenso no conselho encoraja Damasco a usar uma "força esmagadora" contra a cidade de Homs, principal reduto da oposição.

Segundo ativistas, mais de 400 pessoas morreram neste mês em Homs, que se encontra sitiada por forças do Exército, enquanto opositores tentam manter o controle sobre alguns bairros.

Mais cedo, a Liga Árabe pediu uma força de paz conjunta à ONU.

Mortos

Pillay se disse "particularmente chocada com a violência em Homs".

A comissária disse que o Conselho de Direitos Humanos vinha tentando registrar o número de mortos na repressão. No entanto, nos últimos dois meses as vítimas foram tantas que a tarefa se tornou "quase impossível", disse.

No fim do ano passado, o Conselho de Direitos Humanos divulgou que o número de mortos, do lado oposicionista, já havia superado 5 mil.

"Estamos certos de que o número de mortos e feridos continua a crescer a cada dia", disse.

Segundo oativistas de direitos humanos, mais de 7 mil pessoas já morreram na repressão ao protestos desde o início da revolta, em março do ano passado. Segundo o governo, outros 2 mil membrs das Forças Armadas também perderam a vida.

Como o trabalho da imprensa é limitado no país, não é possível verificar os números de forma independente.

'Gangues armadas'

O embaixador da Síria na ONU, Bashar Ja'afari, condenou os comentários de Pillay e voltou a reiterar a posição do regime, de que o governo de Assad luta contra "gangues armadas que querem desestabilizar o país".

"Prédios tem sido minados por alguns desses grupos terroristas. Essa não é uma manifestação pacífica, isso é violência", disse.

Durante a discussão no Conselho de Segurança, na última semana, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ser "deplorável" o uso de "artilharia e tanques contra civis inocentes" na cidade de Homs.

Nesta segunda-feira, a União Europeia expressou apoio à proposta de uma força de paz conjunta entre países árabes e a ONU para intervir na Síria.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse, por sua vez, que nenhuma força de paz deve ser enviada ao país antes que se acorde um cessar-fogo.

Já o chefe da diplomacia chinesea, Liu Weimin, disse que a crise deve ser resolvida por meios diplomáticos.

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