Pela internet, iranianos resistem e organizam protestos políticos
Manifestantes publicam fotos da repressão pós-eleição de Ahmadinejad em redes sociais Twitter e Facebook
Descontentes com o resultado da eleição presidencial realizada na última sexta-feira, 12, milhares de iranianos recorrem à internet para organizar manifestações dentro e fora das ruas. Se em Teerã os protestos são sistematicamente reprimidos pela polícia, no Twitter - comunidade de microblogs que reúne milhões de usuários através de mensagens de apenas 140 caracteres - a discussão sobre o impasse político se tornou o principal assunto da rede.
Veja também:
Manifestante é morto no Irã em protesto no Irã
Líder supremo do Irã ordena investigação de fraude
Irã pede que imprensa internacional deixe o país
Protesto é 'demonstração de quem perdeu', diz Lula
Estudantes acusam milícia de invadir universidade no Irã
Jornais iranianos omitem protestos e confrontos
"Reeleição do presidente foi golpe de Estado"
Podcast: Possibilidade de fraude na eleição é grande, diz especialista
Conheça os números do poderio militar do Irã
Altos e baixos da relação entre Irã e EUA
Especial: O programa nuclear do Irã
Especial: As armas e ambições das potências
Até mesmo o candidato derrotado Mir Hussein Mousavi tem usado sua página no site para protestar e divulgar sua mensagem de resistência, em inglês e farsi. O governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad já reage: tanto o Twitter como o Facebook, outra popular rede de relacionamentos da web, estão bloqueados no país, informa a rede de televisão árabe Al Jazeera. De acordo com a emissora, no domingo também não era possível enviar mensagens de texto por celular.
O protesto denuncia fraudes no processo eleitoral, em favor do radical Ahmadinejad, que segundo o resultado oficial foi reeleito com 62,6% dos votos. O moderado Mousavi afirma que houve compra de votos e não aceita o resultado, que lhe dá cerca de 34% das urnas. Após queixa perante o Conselho dos Guardiães, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, mais alto dirigente do país, pediu nesta segunda-feira uma investigação da votação.
RESISTÊNCIA
Enquanto os protestos ganham força mesmo proibidos - nesta segunda, mais de 100 mil pessoas compareceram a um ato em Teerã -, Mousavi pede "calma e paciência" em seu site de campanha. "Não vamos permanecer em silêncio. Vamos reagir. Crime, crime, crime", escreveu Madyar no Twitter, que diz em seu perfil ser ativista humanitário, pouco antes de testemunhas denunciarem a primeira morte em uma manifestação em Teerã. Assim como outros partidários de Mousavi, o usuário tem publicado dezenas de fotos do cenário de guerra civil da capital iraniana.

Imagem de protesto em Teerã postada por usuário do Twitter. Crédito: Reprodução
"Pedimos aos americanos que digam para Obama não confirmar o governo de Ahmadinejad e apoiar o povo do Irã", disse Madyar em outra mensagem. Embora o serviço esteja bloqueado, iranianos e pessoas de outros países têm divulgado números de proxys alternativos para a conexão funcionar. O truque serve como uma "máscara" para esconder a nacionalidade do internauta na rede.
Em outro perfil, intitulado "Mudança Para o Irã", um usuário identificado apenas como estudante iraniano possui mais de 13 mil seguidores (pessoas que acompanham as atualizações de sua página). "A polícia ameaça abrir fogo em quem tentar participar do protesto por Mousavi", escreveu. "Não estou mais certo se irei, estamos falando apenas em possibilidades."
Não é a primeira vez que a internet é usada para organizar manifestações políticas. Em abril, violentos protestos contra o governo da Moldávia - que incluíram a tomada do Parlamento - foram marcados pelo Twitter e Facebook.
Siga o @EstadaoInter no Twitter
- 01 Serra chama de 'lixo' livro sobre ...
- 02 Obama dá sinal verde a sanções contra ...
- 03 Governo já discute redução de superávit ...
- 04 Montadoras fazem feirões para baixar ...
- 05 Assessor da Comissão da Verdade defende ...
- 06 ‘Estado’lança site e aplicativo para ...
- 07 Cachoeira fica calado e CPI antecipa fim de ...
- 08 Para ruralistas, veto ao Código Florestal ...
- 09 Crise atual pode ser pior que a Grande ...
- 10 Cliente não entende desconto e mercado para
Grupo Estado
- Copyright © 1995-2012
- Todos os direitos reservados








