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Pela internet, iranianos resistem e organizam protestos políticos

Manifestantes publicam fotos da repressão pós-eleição de Ahmadinejad em redes sociais Twitter e Facebook

15 de junho de 2009 | 16h 55
Gabriel Pinheiro - estadao.com.br

Descontentes com o resultado da eleição presidencial realizada na última sexta-feira, 12, milhares de iranianos recorrem à internet para organizar manifestações dentro e fora das ruas. Se em Teerã os protestos são sistematicamente reprimidos pela polícia, no Twitter - comunidade de microblogs que reúne milhões de usuários através de mensagens de apenas 140 caracteres - a discussão sobre o impasse político se tornou o principal assunto da rede.

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Até mesmo o candidato derrotado Mir Hussein Mousavi tem usado sua página no site para protestar e divulgar sua mensagem de resistência, em inglês e farsi. O governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad já reage: tanto o Twitter como o Facebook, outra popular rede de relacionamentos da web, estão bloqueados no país, informa a rede de televisão árabe Al Jazeera. De acordo com a emissora, no domingo também não era possível enviar mensagens de texto por celular.

O protesto denuncia fraudes no processo eleitoral, em favor do radical Ahmadinejad, que segundo o resultado oficial foi reeleito com 62,6% dos votos. O moderado Mousavi afirma que houve compra de votos e não aceita o resultado, que lhe dá cerca de 34% das urnas. Após queixa perante o Conselho dos Guardiães, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, mais alto dirigente do país, pediu nesta segunda-feira uma investigação da votação.

RESISTÊNCIA

Enquanto os protestos ganham força mesmo proibidos - nesta segunda, mais de 100 mil pessoas compareceram a um ato em Teerã -, Mousavi pede "calma e paciência" em seu site de campanha. "Não vamos permanecer em silêncio. Vamos reagir. Crime, crime, crime", escreveu Madyar no Twitter, que diz em seu perfil ser ativista humanitário, pouco antes de testemunhas denunciarem a primeira morte em uma manifestação em Teerã. Assim como outros partidários de Mousavi, o usuário tem publicado dezenas de fotos do cenário de guerra civil da capital iraniana.

Imagem de protesto em Teerã postada por usuário do Twitter. Crédito: Reprodução

"Pedimos aos americanos que digam para Obama não confirmar o governo de Ahmadinejad e apoiar o povo do Irã", disse Madyar em outra mensagem. Embora o serviço esteja bloqueado, iranianos e pessoas de outros países têm divulgado números de proxys alternativos para a conexão funcionar. O truque serve como uma "máscara" para esconder a nacionalidade do internauta na rede.

Em outro perfil, intitulado "Mudança Para o Irã", um usuário identificado apenas como estudante iraniano possui mais de 13 mil seguidores (pessoas que acompanham as atualizações de sua página). "A polícia ameaça abrir fogo em quem tentar participar do protesto por Mousavi", escreveu. "Não estou mais certo se irei, estamos falando apenas em possibilidades."

Não é a primeira vez que a internet é usada para organizar manifestações políticas. Em abril, violentos protestos contra o governo da Moldávia - que incluíram a tomada do Parlamento - foram marcados pelo Twitter e Facebook.