Planalto se mobiliza para libertar repórter do 'Estado' preso na Líbia
Em nota, Dilma determina ao Itamaraty que providencie a soltura e a integridade física do jornalista
O porta-voz do Palácio do Planalto, Rodrigo Baena, disse hoje que a presidente Dilma Rousseff mobilizou a embaixada brasileira na Líbia para acompanhar o caso do repórter Andrei Netto, do jornal O Estado de S. Paulo, detido no país. Em entrevista realizada hoje, Baena informou que o repórter estaria em uma prisão a 60 quilômetros de Trípoli, capital da Líbia. Correspondente do jornal em Paris, Andrei Netto foi preso na Líbia durante a cobertura dos confrontos entre rebeldes e forças do regime de Muamar Kadafi.
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De acordo com relato do embaixador da Líbia em Brasília, Salem Omar Abdullah Al-Zubaidi, aos senadores Paulo Paim (PT-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP) Netto está sendo libertado. A conversa aconteceu por telefone durante a reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado, que é presidida por Paim. "Todas as autoridades da Líbia estão tomando as providências para que ele seja libertado", afirmou o senador Paim, repetindo as palavras que ouviu por telefone do embaixador.
Segundo os senadores, o embaixador disse que ele foi preso por não ter preenchido corretamente os documentos para entrar no país. A conversa com o embaixador se deu minutos depois da comissão ter aprovado uma moção de solidariedade do Senado ao Grupo Estado pela apreensão provocada com o desaparecimento do jornalista.
O Estado havia perdido todo contato direto com Netto. Até domingo, o jornal recebia informações indiretas de que seu repórter estava bem, escondido na região de Zawiya - cenário de violentos confrontos entre Kadafi e os insurgentes, a 30 quilômetros de Trípoli. A comunicação direta com a redação - por meio de telefonemas e e-mails - havia sido propositadamente cortada por segurança, afirmavam fontes líbias.
Desde a última semana, O Estado tem acionado diversas entidades internacionais, como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), a ONU e a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), além do governo brasileiro, a Embaixada da Líbia no Brasil,e vários veículos de comunicação nacionais e internacionais no sentido de garantir a integridade física e segurança do repórter.
Veja a íntegra da nota da presidência:
"A presidenta Dilma Rousseff está acompanhando com atenção a situação do jornalista brasileiro Andrei Netto, do jornal O Estado de S. Paulo, detido na Líbia, e determinou ao ministro interino das Relações Exteriores, embaixador Ruy Nogueira, providências para assegurar a sua integridade física e a sua libertação.
A presidenta foi informada pelo Itamaraty que o jornalista estaria na localidade de Sabratha, a 60 quilômetros de Trípoli. O embaixador brasileiro na Líbia, George Ney de Souza Fernandes, está envidando todos os esforços necessários junto às forças que atuam na região para a pronta solução do caso."
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