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Polêmica em Israel vira paródia de sucesso sertanejo brasileiro

Comediantes israelenses usaram melodia de 'Ai, se eu te pego' para discutir racha com ortodoxos no país

Gabriel Toueg, do estadão.com.br,

09 Janeiro 2012 | 20h02

SÃO PAULO - Dois comediantes israelenses fizeram um vídeo parodiando a música "Ai, se eu te pego", do sertanejo Michel Teló. Mas, em vez de apenas traduzir a letra, eles transformaram a música - sucesso também no país do Oriente Médio - em uma crítica a ortodoxos que se envolveram em uma polêmica no final de dezembro.

 

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Os comediantes, Yohay Sponder, 29 anos, e Meni Malca, 32, não imaginavam que o vídeo - publicado no fim de semana em um canal que mantêm no YouTube - teria tanto sucesso. "Meni era mais cético que eu", disse Sponder ao estadão.com.br, por telefone, de Tel Aviv.

 

Até o início da noite desta segunda-feira, 9, a paródia, que recebeu o nome de "Música da Shikse" (algo como "gentia", mas em tom pejorativo) já havia sido vista quase 146 mil vezes apenas no canal deles - e repassado incansavelmente pelas redes sociais, inclusive em perfis de brasileiros.

 

Surpreso, Sponder indagou, durante a entrevista: "Como vocês (brasileiros) ficaram sabendo tão rápido do vídeo?" De acordo com ele, ao longo do fim de semana o vídeo se tornou um dos mais assistidos em Israel, comentado em blogs "famosos". "Dei uma entrevista para a Galgalatz (rádio do Exército) hoje de manhã", disse.

 

O comediante disse que decidiu usar a música de Teló (que chamou de "Nossa, nossa") para a paródia por ser "popular, principalmente na internet". Segundo ele, a canção toca bastante em rádios locais e também em academias. A letra da paródia é dele mesmo. O comediante também trabalha escrevendo letras de músicas e fazendo shows de stand-up.

 

Assista ao vídeo:

 

 

Menina de oito anos

 

A polêmica que motivou Sponder e Malca a produzir o vídeo ocorreu na última semana de dezembro, quando um ortodoxo ofendeu e cuspiu em uma garota de oito anos - também religiosa - em Beit Shemesh, cidade próxima de Jerusalém. O homem alegou que a menina estava vestida "imodestamente".

 

A atitude do ortodoxo de Beit Shemesh provocou furor em todo o país. Dias depois do ocorrido, uma sexta-feira (dia de rezas no judaísmo), milhares de pessoas fizeram uma manifestação na cidade, na qual metade da população de cerca de 80 mil pessoas é ortodoxa.

 

"Já havíamos feito um vídeo vestidos como judeus ortodoxos em Tel Aviv, e resolvemos abordar esse assunto", contou. No vídeo, outro sucesso do canal deles no YouTube, os comediantes, também vestidos de ortodoxos, caminham pela cidade "ensinando" as pessoas como vestir bebês, cachorros e brincam com manequins.

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