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Políticos citados por revista colombiana negam laços com Farc

Publicação diz que e-mails mostram ligação entre governo Lula e guerrilha; Garcia nega qualquer vínculo

31 de julho de 2008 | 19h 46
Agências internacionais

Autoridades do governo brasileiro voltaram a negar nesta quinta-feira, 31, que tenham tido contatos com as Farc, como afirmou a última edição da revista colombiana Cambio. A publicação afirma que os computadores do ex-líder das Farc "Raúl Reyes", morto por tropas colombianas no Equador em março, mostram contatos do grupo com "altas esferas" do Partido dos Trabalhadores (PT) e da administração federal.   Veja também: Farc estão infiltradas na 'alta esfera' do Brasil, diz revista A matéria da revista colombiana (em espanhol) Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região      Entre os citados pela revista estão o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral, o ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, a deputada distrital Erika Kokay (PT) e o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.   Carvalho assegurou que tanto ele quanto o governo tem "relação zero" com as Farc e reiterou que a "posição brasileira é claríssima contra os seqüestros e todos os métodos" do grupo guerrilheiro. A revista diz que ele teria agido em favor de Antonio Cadena Collazos, conhecido como "padre Olivério Medina" e "Cura Camilo", considerado o embaixador das Farc no Brasil.   "Medina" esteve detido por quase dois anos no País, que lhe concedeu status de refugiado, em troca de seu desligamento do grupo guerrilheiro.   No domingo, o Estado divulgou entrevista na qual o ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou que o governo de seu país entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um relatório sobre a presença das Farc no Brasil.   Garcia e Itamaraty   Por sua vez, Marco Aurélio Garcia admitiu à imprensa paraguaia, onde está em missão oficial, que "houve uma certa tentativa de aproximação" do governo brasileiro com as Farc, mas insistiu que o contato "foi refutado". Ele disse que foi um dos primeiros a rejeitar todo o contato com a guerrilha.   "Não há nenhuma cooperação do governo brasileiro com as Farc. Basta ler os documentos para ter isso claro", declarou Garcia à BBC Brasil por telefone.   O Itamaraty negou qualquer vínculo do chanceler Amorim com as Farc."Nunca houve qualquer forma de contato direto ou indireto do ministro Celso Amorim com qualquer membro ou representante das Farc", disse à BBC Brasil a assessoria de imprensa do Itamaraty.   Caso 'Medina'   A deputada Erica Koyay também negou, por meio de sua assessoria de imprensa, qualquer ligação com as Farc e seus integrantes. O "único contato" teria ocorrido em 2006 quando ela visitou "Medina", que estava detido no presídio da Papuda.   "A deputada apenas foi ver em que condições o padre estava detido. Ela fez a visita na condição de integrante da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Distrital", informou a assessoria da petista, que negou qualquer outro contato com representantes das Farc ou doação de recursos para a organização.   O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, atualmente no PSOL, também é citado na reportagem como o representante do PT que teria pedido a intervenção do ministro das relações Exteriores Celso Amorim no caso de Olivério Medina. Em um e-mail de 22 de fevereiro de 2004, "José Luis" diz para "Reyes" que "por intermédio do legendário líder do PT, Plínio de Arruda Sampaio, chegamos a Celso Amorim".   Procurado pelo estadao.com.br, Arruda confirmou ter intercedido por Medina. "Ele estava sendo perseguido, podia ser mandado de volta para a Colômbia e ser preso ou coisa pior. Então eu liguei no ministério e pedi que o ministro o recebesse", disse. "Em toda minha vida pública eu tento interferir nesses casos. Eu fui exilado e sei como é ficar sem documentos em um país". Ele disse não saber se a reunião entre Medina e o ministro ocorreu. Arruda diz ainda desconhecer ligações do PT com as Farc.   Consultada pelo estadao.com.br, a assessoria de imprensa da Presidência da República disse que não se pronunciará oficialmente sobre a reportagem.   Pessoas próximas ao Planalto ouvidas pelo estadao.com.br classificaram as acusações da revista como "infundadas" e sugeriram que a divulgação dos e-mails pode fazer parte de uma campanha contra o governo brasileiro por parte da revista, que seria de propriedade do irmão do ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos. O ministro teria sido contrariado pela adesão da Colômbia à União de Nações Sul-Americanas (Unasul), anunciada por Uribe no último dia 19.     (Com Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo, BBC Brasil e Efe)



Tópicos: Farc, Colômbia