Portal da Venezuela fecha comentários de leitores por temer restrições à Internet
Congresso se reuniu nesta terça para debater lei que regularia a web
O portal Notícias 24, um dos principais da Venezuela, suspendeu temporariamente os comentários de seus leitores ante a incerteza gerada após o presidente Hugo Chávez ter exigido regulações para a Internet, informou nesta terça-feira, 16, um diretor do site.
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Frank de Prada, editor do Notícias 24, disse à AP que desde o meio-dia de segunda-feira, o popular portal suspendeu os comentários dos leitores "quando vimos que havia declarações muito contraditórias entre várias pessoas do governo" sobre as possíveis regulações que seriam impostas à Internet.
Prada negou que a restrição das mensagens dos leitores represente uma "autocensura", e defendeu que a ideia é "estruturar um sistema para minimizar os riscos que isso (os comentários) possa representar para nós".
"Não temos capacidade de controlar 15 ou 20.000 comentários diários", disse o editor, e acrescentou que precisaria ter "10 empregados só para isso. Todo o mundo sabe que somos meios pequenos, com muito poucos empregados, e muito poucos recursos econômicos".
Ao ser perguntado sobre a possibilidade de que as autoridades imponham restrições à Internet e sanções aos diretores de portais, Prada disse que "é realmente uma barbaridade que criminalizem os administradores dos sites da web".
"A Internet funciona de uma maneira igual em todo o mundo. Não pode funcionar de uma forma em um país e de outra forma em outro", opinou.
Chávez criticou no sábado passado o portal local Noticiero Digital, ao qual acusou de divulgar "uma informação falsa" sobre o suposto assassinato de vários de seus colaboradores, e pediu que ações legais contra seus encarregados fossem tomadas.
"A regulação, a regulação, leis para regulação!", disse Chávez ao solicitar ao ministro de Obras Públicas e encarregado do setor de telecomunicações, Diosdado Cabello, que tome também as ações pertinentes.
O Noticiero Digital negou no domingo as acusações do presidente e denunciou que Chávez tenta estender suas perseguição contra os meios de imprensa independentes à Internet.
O vice-presidente da sigla governista, o Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV), Aristóbulo Istúriz, negou nesta segunda que o governo queira controlar a Internet, enquanto a procuradora-geral,Luisa Ortega Díaz, instou a Assembleia Geral a legislar sobre o tema.
Em meio da polêmica gerada pelos comentários de Chávez, o Congresso, formado em sua maioria por aliados do governo, convocou na terça uma sessão para debater o uso da internet no país.
Chávez e seus aliados políticos também fizeram críticas contra redes sociais como o Twitter e o Facebook, ao alegar que são usados para difamar funcionários públicos e enganar a população.
O presidente incitou seus seguidores a participarem dessas redes de forma mais ativa para se contraporem a seus adversários.
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