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Premiê é pressionada a aceitar derrota nas eleições da Ucrânia

Primeira-ministra ainda não se manifestou sobre vitória da oposição; pleito foi considerado limpo pela Otan

08 de fevereiro de 2010 | 17h 58
Reuters

O líder da oposição ucraniana, Viktor Yanukovich, pressionou nesta segunda-feira, 8 sua rival Yulia Tymoshenko a reconhecer sua derrota nas eleições presidenciais. A vitória apertada de Yakunivich pode colocar a ex-república soviética novamente na órbita de Moscou.

Partidária de Yakunovich beija retrato - Efrem Lukatsky/AP
Efrem Lukatsky/AP
Partidária de Yakunovich beija retrato

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Observadores internacionais, fazendo mais pressão ainda sobre Tymoshenko, classificaram a eleição como uma "mostra impressionante" de democracia e a incitaram a cumprimentar seu oponente.

Com 98.4% dos votos contados, contagens oficiais deram ao ex-operário Yanukovich, cujo partido é aliado ao Kremlin, uma vantagem de 2,8 pontos percentuais acima da primeira-ministra Tymoshenko, que não poderá mais alcançá-lo.

Tymoshenko, que incitou partidários a saírem à ruas na Revolução Laranja de 2004 para subverter a vitória de Yanukovich, considerada fraudulenta naquele ano, manteve-se quieta durante o dia e adiou uma coletiva de imprensa para esta terça.

Seus partidários alegaram numerosas violações na lei eleitoral no pleito do domingo, mas oficiais e monitores disseram que não viram nenhuma falha séria.

A equipe de vigilância internacional liderada pela Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) incitou os governantes ucranianos a "ouvir o veredicto do povo".

O veredicto da OSCE foi equivalente a um apelo a Tymoshenko para que ela aceite que perdeu a briga. "Normalmente, para o bem da nação, aquele que perde dá as mãos àquele que ganha", disse o chefe da delegação de monitoração da OTAN, Assen Agov.

Yulia parecia estar disposta a expor sua posição nesta terça. Menos de 600 mil votos separaram os dois lados, o que reflete a profunda divisão ucraniana entre os simpatizantes de uma volta a órbita da Rússia e os favoráveis ao Ocidente. Mais de um milhão de eleitores escolheram não votar em nenhuma das duas opções, uma opção oferecida na cédula eleitoral.

Investidores ocidentais e a Rússia reagiram cautelosamente ao resultado do pleito, cientes de que um período prolongado de incerteza no resultado das eleições poderia enfraquecer ainda mais a economia ucraniana.

Revolução Laranja

Os resultados oficiais simbolizam uma grande recuperação política para Yanukovich, de 59 anos, cuja vitória na eleição presidencial de 2004 acabou sendo anulada depois de enormes manifestações populares que ficaram conhecidas por "Revolução Laranja", contestando a ligação dele com Moscou.

Mas a euforia daquele movimento popular deu lugar a uma fase de frustração, divergências políticas e crise econômica, e agora a Ucrânia, uma ex-república soviética com 46 milhões de habitantes, pode voltar à órbita russa.

Ambos os candidatos prometeram integração com a Europa junto com uma melhoria nas relações com Moscou, mas Tymoshenko é considerada mais pró-ocidental. Já Yanukovich não deve pleitear a adesão à Otan, que era uma meta "laranja" que enfureceu a Rússia.