Presidente deposto nas Maldivas tem ordem de detenção decretada
Mohamed Nasheed diz ter sido vítima de golpe de Estado liderado pelo vice e atual governante
NOVA DÉLHI - Um tribunal das Maldivas determinou nesta quinta-feira, 9, a detenção do recém deposto presidente Mohamed Nasheed, enquanto aumentam no país os protestos pela rebelião policial que retirou Executivo do poder, informou uma fonte local. "Um juiz de Male (a capital das Maldivas) emitiu uma ordem de detenção contra Nasheed e o ex-ministro da Defesa Tholhath Ibrahim, mas por enquanto eles não foram detidos", disse à Efe um membro do partido do ex-presidente.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, acrescentou que o magistrado que decretou as detenções, Abdullah Mohammed, é o mesmo que ficou três semanas preso por ordem do antigo Executivo, liderado pelo Partido Democrático Maldivo (MDP), de Nasheed.
As manifestações que levaram à detenção do juiz em janeiro do ano passado desembocaram na rebelião policial que, estimulada por alguns partidos opositores, derrubou o chefe de governo na última terça-feira. Horas depois da renúncia do líder, o cargo foi ocupado pelo até então vice-presidente Mohammed Waheed.
Os confrontos entre partidários do presidente deposto e as forças de segurança, que começaram na capital, foram aumentando em diversos pontos do arquipélago, e chegaram a ser registrados ataques a edifícios oficiais. "Há distúrbios em ao menos 25 ilhas. Cada vez mais gente sai às ruas para se opor ao golpe de Estado", disse o membro do partido de Nasheed.
O maior choque entre os manifestantes e a polícia ocorreu na quarta-feira à tarde na capital, quando milhares de seguidores do MDP foram interceptados por agentes policiais, que agiram com firmeza para dissolver a manifestação. O partido acusa o ex-presidente das Maldivas Maumoon Abdul Gayoom, que governou o país durante 30 anos, de ter atuado junto a grupos conservadores islâmicos para derrubar Nasheed.
"Tenho muitas razões para afirmar que Gayoom está por trás do golpe contra o governo constitucional", disse na quarta o ex-ministro de Recursos Humanos Hassan Latheef, que acrescentou que a rebelião foi apoiada por grupos islâmicos locais.
O arquipélago vivia uma crise institucional desde pouco depois das primeiras eleições multipartidárias do país, as presidenciais realizadas em outubro de 2008, que puseram fim a três décadas de governo autocrático de Gayoom.
O levante nas Maldivas registrou uma morna reação entre a maioria dos países da região, como a Índia, cujo primeiro-ministro, Manmohan Singh, se limitou a felicitar o novo chefe do Executivo maldivo.
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