Presidente eleito do Paraguai anuncia composição de novo governo
O presidente eleito do Paraguai,
Fernando Lugo, disse na sexta-feira, quando anunciou a
composição de um gabinete de governo formado majoritariamente
por políticos, que a analista Milda Rivarola será a futura
ministra das Relações Exteriores do país.
Lugo, um ex-bispo católico que deve tomar posse no dia 15
de agosto, nomeou ainda o advogado e senador eleito Rafael
Filizzola para comandar a pasta do Interior e a médica
Esperanza Martínez para o Ministério da Saúde Pública.
Os três pertencem a partidos ou movimentos
social-democratas que integram a Aliança Patriótica para a
Mudança (APC), a coalizão centro-esquerdista pela qual Lugo
elegeu-se, no dia 20 de abril, colocando fim a mais de seis
décadas de controle do governo pelo Partido Colorado, uma
legenda conservadora.
Rivarola, 52, formou-se em agronomia e ciências sociais em
Assunção e fez pós-graduação em história na França, de onde
liderou um grupo de intelectuais paraguaios que lutou pela
abertura democrática em plena ditadura do general Alfredo
Stroessner.
"Eu nunca quis fazer parte do aparato estatal. Para os que
vêm do mundo acadêmico ou do setor privado, tomar essa decisão
é algo difícil. Mas não pude tirar o meu da reta em um momento
tão emblemático para o Paraguai", afirmou a analista de
política à rádio Primero de Marzo.
"Neste momento, contamos com a boa vontade e a cooperação
da parte de muitos países. Há vários elementos positivos
permitindo que cumpramos nossa missão de forma adequada e
consigamos recuperar a imagem que temos diante do mundo",
acrescentou Rivarola, referindo-se à fama do Paraguai de ser um
país corrupto.
Três políticos do Partido Liberal -- segunda maior força
política do país -- farão parte do gabinete ministerial: Blas
Llano (Justiça e Trabalho), Cándido Vera (Agricultura e
Pecuária) e Efraín Alegra (Obras Públicas e Comunicações).
"Esses ministros serão os agentes da mudança que os
cidadãos tanto desejam", afirmou Lugo, em uma entrevista
coletiva.
Entre os demais ministros do futuro governo, contam-se o
economista Dioniosio Borda (Fazenda), Martín Heisecke
(Indústria e Comércio) e Luis Bareiro Spaini (Defesa).
"A composição do gabinete reflete essa pluralidade que
representa a aliança e agora temos o compromisso de honrar
todas as expectativas surgidas desde a vitória de Fernando
Lugo", afirmou Filizzola a jornalistas.
Alguns políticos da oposição afirmaram que os nomes
escolhidos por Lugo não possuem experiência.
"Parece-me que o Ministério das Obras Públicas e
Comunicações, por exemplo, deveria ser comandado por alguém com
conhecimento técnico", afirmou o deputado Carlos María Soler,
do partido centro-direitista Pátria Querida.
Ao lado de sua futura chanceler, Lugo viaja no sábado para
a Bolívia e logo depois visita o Equador e a Venezuela, ficando
longe do Paraguai até quinta-feira.
(Reportagem de Mariel Cristaldo)
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