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Proposta de McCain de combate à crise irrita conservadores

Republicano propôs que governo compre hipotecas de alto risco e as coloque no mercado a preços acessíveis

09 de outubro de 2008 | 19h 47
Efe

O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, foi criticado nesta quinta-feira, 9, pelos defensores do livre mercado por sua proposta para resolver a crise de hipotecas. "McCain propõe que o Departamento do Tesouro americano se transforme em banco hipotecário", afirmou em seu blog a colunista ultraconservadora Michelle Malkin, que destaca que os Estados Unidos estão à beira do "socialismo."   Veja também: Em um dia, Obama gasta US$ 3,3 milhões para atrair indecisos Madonna veta Sarah Palin em show Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   No debate de terça-feira com o candidato democrata, Barack Obama, McCain revelou uma parte de seu plano no meio da maior turbulência financeira de décadas: que o governo compre as hipotecas de alto risco e as coloque no mercado a preços acessíveis. Em um cálculo preliminar, a campanha de McCain afirmou que o programa custaria US$ 300 bilhões.   O valor não estaria incluído nos US$ 700 bilhões que o Congresso americano aprovou e o presidente dos EUA, George W. Bush, promulgou na semana anterior como plano de resgate dos mercados financeiros. "O navio escorou do livre mercado republicano, virou e iniciou sua longa queda ao fundo do mar político", afirmou a colunista Nina Easton, da revista Fortune.   "McCain nos disse que quer que o governo nacionalize boa parte do setor hipotecário mediante a aquisição de hipotecas em risco e a renegociação de termos mais acessíveis", acrescenta. O candidato republicano nunca foi o favorito de nenhuma das duas alas do conservadorismo americano, o cristianismo fundamentalista, que procura a "moralização" do país, e o fundamentalismo fiscal e econômico, para o qual quanto menos o governo se intrometer na economia, mais prosperidade haverá.   O economista J.D. Foster, da Fundação Heritage, um grupo de estudo com sede em Washington que foi, durante décadas, a "academia do conservadorismo", disse que o plano de McCain não ataca o problema central, que está nos mercados de crédito. "Temos que permitir que os mercados funcionem", acrescentou Foster, que lembrou que, dentro de outra iniciativa anterior da Administração Bush, o Departamento do Tesouro americano já está renegociando hipotecas a um ritmo de 200 mil por mês.   McCain "quer que o governo use US$ 300 bilhões, que não tem, para comprar hipotecas ruins para fortalecer os preços de imóveis", afirmou o ex-representante republicano Bob Barr, da Geórgia, que agora é candidato presidencial pelo Partido Libertário. "Mas, o que nos colocou nesta confusão foi a inflação artificial dos preços dos imóveis", acrescentou. "De onde o senador McCain acredita que sairá todo esse dinheiro?", perguntou.   Um dia após sua surpreendente proposta no debate, McCain divulgou uma versão corrigida que irritou mais ainda os conservadores. A proposta original estipulava que os bancos e pessoas que fazem empréstimos que recorressem ao programa "deverão reconhecer as perdas já sofridas", de modo que o Governo adquiriria as hipotecas a preço de desconto como resultado da queda do valor dos títulos.   Na segunda versão, essa frase desapareceu, o que implicaria que o governo pagaria pelas hipotecas o título nominal, sem levar em conta a queda do valor real. "Muito se fala de fazer o que for necessário para que as pessoas permaneçam em suas casas, mas em que sentido são 'suas casas'?", escreveu o colunista Mark Steyn na revista conservadora National Review.