Protestos mobilizam milhares contra reforma da previdência na França
Governo, que quer elevar idade de aposentadoria, diz que greves e passeatas reuniram 1,1 milhão.

O movimento contra a reforma da previdência na França ganhou força nesta terça-feira com greves e passeatas que reuniram entre 1,1 milhão de pessoas, de acordo com o Ministério do Interior, e 2,7 milhões de manifestantes, segundo a confederação sindical CGT.
Os sindicatos estimam ter realizado uma grande mobilização nacional contra a reforma, que tem como principal medida o aumento da idade mínima para aposentadoria de 60 para 62 anos.
Pelo menos 190 protestos foram realizados em diversas cidades do país, entre eles a capital, Paris.
Em média, estima-se que pouco mais de 25% dos servidores públicos cruzaram os braços. Diversos serviços foram afetados, entre eles os transportes - o que gerou caos em várias localidades.
Apenas 40% dos trens-bala circularam no país e, em Paris, a linha de trem suburbano que liga a capital aos aeroportos Charles de Gaulle e Orly praticamente não funcionou.
"O governo não pode minimizar uma mobilização nacional desse porte e deverá refletir sobre a questão", afirmou Bernard Thibault, secretário-geral da CGT, uma das principais centrais sindicais do país.
O ministro do Trabalho, Eric Woert, que conduz a reforma da aposentadoria, disse em uma entrevista ao canal de TV TF1 "não estar surpreso com a dimensão dos protestos", mas declarou que "se aposentar aos 62 anos é algo normal porque hoje as pessoas vivem mais tempo".
Sarkozy
A expectativa é de que o presidente Nicolas Sarkozy faça uma declaração na quarta-feira sobre a reforma antes de uma reunião do conselho de ministros.
Sarkozy afirma que não irá recuar em relação ao aumento da idade para aposentadoria de 60 para 62 anos, elemento central da reforma.
Mas o governo francês dá sinais de que "há espaços para discussão", como afirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro, François Fillon.
O governo poderia criar algumas exceções para determinadas categorias profissionais cujo trabalho é considerado penoso ou ainda no caso de pessoas que começam a trabalhar muito cedo.
Os protestos e greves desta terça-feira coincidiram com o início das discussões sobre a reforma da aposentadoria no Parlamento francês, que deve ser votada no dia 15 de setembro.
"A aposentadoria aos 62 anos é uma escolha razoável e inevitável", disse o primeiro-ministro aos deputados no Parlamento nesta terça-feira.
Paralelamente, a idade para ter direito à aposentadoria integral no caso dos que não atingiram o tempo de contribuição exigido (que será de 41,5 anos em 2020, segundo uma reforma já realizada em 2003 por Fillon) passará de 65 para 67 anos.
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