Protestos na Bolívia matam 3; Morales confirma Constituição
O presidente também acusou o líder opositor e ex-presidente Jorge Quiroga pela violência em Sucre
O presidente da Bolívia, Evo Morales, atribuiu a "grupos de delinqüentes" os distúrbios em Sucre, que causaram três mortes e deixaram mais de 130 feridos neste fim de semana, e deu como certa a ratificação de sua nova Carta Magna, aprovada por 136 dos 255 participantes da Assembléia Constituinte. Em mensagem transmitida pela televisão, Morales não falou concretamente sobre os mortos, dois manifestantes e um policial, mas pediu uma investigação "urgente e imparcial" para encontrar os responsáveis pelos distúrbios. O presidente também acusou o líder opositor e ex-presidente Jorge Quiroga, chefe da aliança direitista Poder Democrático e Social (Podemos), de ter promovido e "previsto" a violência na cidade. Morales felicitou os "movimentos sociais", como chama os partidos e sindicatos que apóiam seu governo, por terem apoiado a Assembléia Constituinte e a aprovação em primeira instância da nova Carta Magna, ocorrida no último sábado, em um colégio militar nos arredores de Sucre. O chefe de Estado garantiu que a nova Constituição será referendada e aprovada pelo povo boliviano por meio de um plebiscito, como previsto na legislação atual do país. O projeto de Constituição de Morales foi aprovado no sábado, 24, pelos constituintes governistas, à revelia de todos os opositores, em uma sessão improvisada, e sem que fossem cumpridos todos os trâmites previstos, motivo pelo qual não se sabe, até agora, quais foram os pontos admitidos. O governante disse que a nova Carta Magna garante as autonomias departamentais e indígenas, assegura a nacionalização dos hidrocarbonetos e declara como "direitos humanos" os serviços básicos de água, energia e telecomunicações, para que não se tornem negócios privados. Também garante, segundo Morales, a luta contra a corrupção, para investigar fortunas suspeitas e coloca a possibilidade de revogar os mandatos dos prefeitos, governadores regionais e do próprio presidente. Segundo ele, "estes são os temas importantes em uma transformação democrática, à qual se opõem os grupos oligárquicos e neoliberais do país".
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