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Provável vitória de Obama dispara venda de armas nos EUA

Americanos temem que o candidato democrata, que lidera as pesquisas, restrinja venda de armamento

01 de novembro de 2008 | 11h 42
Elvira Palomo - EFE

A disputa eleitoral americana transformou-se literalmente em uma campanha de armas, pois o temor de que, em caso de vitória, o candidato democrata Barack Obama restrinja a venda de armamento disparou as compras de fuzis e pistolas.   Veja também: Para especialistas, mídia pode ser cabo eleitoral para Obama Magnata da comunicação diz que vitória de Obama vai piorar crise Seria 'extraordinário' se EUA elegessem um negro, diz Lula 'Economist' declara apoio a Obama Obama amplia vantagem e tem 11 pontos sobre McCain Uma piscada que pode custar caro para Obama Enquete: Você votaria em McCain ou Obama?  Confira os números das pesquisas nos Estados  Obama x McCain  Entenda o processo eleitoral   Cobertura completa das eleições nos EUA   Os Estados Unidos atravessam uma grave crise econômica que levou a população a cortar despesas e a cuidar bem o bolso para conseguir chegar ao fim de mês.   Mas há um produto de necessidade duvidosa cujas vendas dispararam: as armas. Os analistas estudam a que se deve. À crise? À insegurança ? Às eleições? A resposta é muito mais simples.   "O povo está comprando armas porque acredita que Obama vai fazer mais restrições, mas não acho que seja porque haja algum perigo, é algo temporário", disse à Agência Efe Gary Kleck, pesquisador do Centro de Criminologia da Universidade Estadual da Flórida.   Após as eleições, assegurou, "a compra de armas cairá ou voltará ao normal": "Não há nenhum perigo, porque a crise não mudou os índices de criminalidade".   Tanto o candidato democrata Barack Obama como o republicano John McCain dizem que apóiam a Segunda Emenda à Constituição, que autoriza os americanos a terem armas.   Mas a sombra de dúvida paira sobre os democratas. O companheiro de chapa de Obama, o senador Joe Biden, lembrou em discurso que ele foi um dos artífices da proibição aos rifles de assalto - sancionada pelo então presidente Bill Clinton -, e assegurou que seguiria trabalhando para reforçar a lei.   Obama reiterou que acredita na Segunda Emenda, mas também disse que não há nada de errado em tomar certas medidas de "bom senso", o que alarmou os partidários das armas.   A emenda acolhe de uma maneira um tanto ambígua o direito ao porte de armas. "Sendo necessária uma milícia bem ordenada para a segurança de um Estado livre, não se violará o direito do povo de possuir e portar armas", diz o texto.   Isto deu lugar a uma dupla interpretação. Por parte dos defensores de pistolas e afins, fica claro o direito a ter uma arma para defesa pessoal, enquanto os detratores delas acham que a emenda trata de um conceito antigo, que se referia só às milícias.   Seja como for, este foi um tema delicado em outras campanhas eleitorais, e influenciou no resultado das eleições presidenciais de 2000, em que o democrata Al Gore foi derrotado por George W. Bush.   Segundo o jornal "Politico", se em vez de ganhar na Flórida - um dos estados mais difíceis de se conquistar e tradicionalmente republicano -, Gore tivesse convencido os partidários das armas do Tennessee, Arkansas e Virgínia, poderia ter sido o 42º presidente dos EUA, o que não conseguiu.   O "é melhor prevenir" levou centenas de americanos às lojas de armas para comprar pistolas e munição, cujas vendas cresceram entre 10% e 30% no último mês, segundo a rede de televisão "MSNBC".   Pete Hill afirmou à TV que, "por segurança", tinha decidido comprar uma arma fazia tempo, mas que preferiu fazê-lo antes das eleições porque acredita que as normas poderão ficar mais duras depois. Embora Hill não tenha feito uma referência direta ao candidato democrata, com a câmera desligada, vários clientes disseram que se Obama vencer acham que será mais difícil comprar armas.   "Não é a primeira vez que isto acontece", disse, por sua vez, Doug Jackson, de uma loja de armas da Flórida.   Em outras vezes em que o Partido Democrata esteve perto de chegar à Presidência, as vendas de armas também aumentaram. "As pessoas acham que vai haver uma mudança, mais restrições e mais impostos sobre as armas ou a munição", explicou à "MSNBC".   Os analistas esperam que, passadas as eleições, as coisas voltem a seu curso, enquanto na última semana de campanha os candidatosesgotam todo seu cartucho para chegarem à Casa Branca.