Racha de Honduras acaba com lua de mel entre Obama e região
Divisão sobre reconhecimento da eleição acaba com esperanças de que relações seriam menos conflituosas
A divisão sobre o reconhecimento das eleições em Honduras acabou definitivamente com a lua de mel entre os líderes latino-americanos e o presidente dos EUA, Barack Obama. "O impasse destruiu as esperanças de que, com Obama, as relações entre os EUA e a região seriam menos conflituosas e tomariam novos rumos", disse ao Estado Marcelo Coutinho, coordenador do Observatório Político Sul-Americano. Para ele, Honduras tornou-se o cenário de "velhos conflitos ideológicos" - de um lado, os EUA e seus aliados conservadores; e do outro, os governos de esquerda, em geral antiamericanos.
Até este mês, os atritos com os EUA eram atribuídos ao fato de Arturo Valenzuela, escolhido por Obama para assumir o mais alto posto em seu governo para a América Latina, ainda não ter sua indicação aprovada pelo Senado. A justificativa dos senadores conservadores para o veto era que a política para Honduras era "muito branda" (Obama havia condenado o golpe contra o aliado de Hugo Chávez, Manuel Zelaya). Quando o anúncio do acordo que permitirá aos EUA usar sete bases militares na Colômbia levantou uma grande polêmica na região, muitos ainda achavam que o problema era que "o time de Obama" não tinha assumido.
Valenzuela foi confirmado no cargo no dia 10, mas em seu primeiro discurso na OEA defendeu o reconhecimento das eleições hondurenhas, reafirmando uma posição contrária ao bloco no qual está o Brasil e os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). "Preocupa-me a percepção geral de que os EUA possam perder seu equilíbrio - especialmente os democratas - quando acusados de serem fracos em sua política externa", diz Julia Sweig, do Council on Foreign Relations, em Washington. "Foi o que aconteceu quando a direita acusou Obama de não ser dura na questão hondurenha e apoiar Chávez."
Fernando Ayerbe, professor do Programa San Tiago Dantas de Relações Internacionais da Unesp, diz que o modo como a crise em Honduras foi encaminhada é um indicativo de como deve ser a política dos EUA para a região daqui para frente. "Obama recebeu um choque de realidade do establishment conservador", diz Ayerbe, lembrando que o americano assumiu defendendo o diálogo com Cuba e Venezuela.
(Colaborou João Paulo Charleaux)
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