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Rebeldes da Abkházia celebram expulsão das forças da Geórgia

13 de agosto de 2008 | 10h 20
ILYA KACHAYEV - REUTERS

Forças rebeldes proclamaram

na quarta-feira a "libertação" da Abkházia, enquanto

patrulhavam um remoto desfiladeiro abandonado pelos soldados da

Geórgia, que, no conflito, deixaram para trás armas, munição e

roupas.

As forças rebeldes da Abkházia aproveitaram-se da derrota

da Geórgia na Ossétia do Sul, uma área separatista da qual o

Exército russo expulsou os georgianos no fim de semana, para

capturar, na terça-feira, o desfiladeiro de Kodori.

"A Abkházia foi libertada totalmente. Agora, não há mais

soldados georgianos em nosso território. A Abkházia recuperou

sua soberania territorial. Estamos contentes por termos paz",

afirmou à Reuters Alexander Melnik, ministro de Defesa da

região, um cargo que não conta com reconhecimento

internacional.

Parece que as forças russas não estiveram presentes na área

antes ou durante a investida. O autor desta matéria não viu

nenhum soldado vestindo o uniforme russo.

"Eles saíram antes de a operação ter se iniciado", disse

Melnik.

Melnik deu essas declarações em Chkhalta, antes a capital

do governo da Abkházia aliado da Geórgia e hoje uma cidade

controlada totalmente pelos rebeldes. A sede do governo

pró-georgiano viu-se destruída quase por completo.

Caixas com balas, granadas e cartuchos, a maior parte delas

com etiquetas em inglês, podiam ser vistas ao lado de uma

estrada. Em um dado momento, os soldados tiveram de retirar do

caminho uma pilha de morteiros antes de poderem continuar.

Um lote de munição, metralhadoras e morteiros foi minado

pelos georgianos em retirada, mas os explosivos não puderam ser

detonados.

O desfiladeiro de Kodori era a única área da Abkházia, um

território localizado entre o mar Negro e as montanhas do

Cáucaso, ainda ocupada pelas forças da Geórgia, derrotadas

pelos rebeldes em 1993.

Agora, o único traço do controle georgiano era a rede de

telefonia móvel Geo Magti, ainda em funcionamento e que

permitia estabelecer algum tipo de contato com o mundo

exterior.

A vários quilômetros do prédio do governo encontravam-se os

alojamentos militares, intactos.

Ao fugirem, os soldados georgianos deixaram para trás

calças jeans, coletes, capacetes, artigos de toalete, revistas,

cuecas e mochilas arrumadas pela metade.

O manual de instrução, escrito em inglês, para um fuzil

automático Bushmaster podia ser visto em cima de uma cama. E

pilhas de armas de fabricação norte-americana destruídas ainda

soltavam fumaça ao lado de uma estrada.

Dois soldados da Abkházia exibiam um fuzil de assalto

intacto que haviam encontrado. Os únicos tiros escutados por

este correspondente vieram desses dois militares, que

dispararam para o alto, celebrando.

Quase todos os moradores civis do desfiladeiro parecem ter

fugido dali, e suas casas estavam vazias.

O vilarejo de Azhara, localizado na área, encontrava-se

deserto apesar de vacas ainda pastarem entre algumas das casas.

As moradias estavam intactas.

"Alguns deles talvez tenham ido para a Geórgia. Ou talvez

tenham subido as montanhas. As vacas deles ainda estão aqui, de

forma que não devem estar muito longe", afirmou Melnik. "Posso

garantir-lhe que, daqui em diante, esse será um lugar tranquilo

para as vacas."

(Por Oliver Bullough)



Tópicos: GEORGIA, ABKHAZIA