Repórter da sapatada em Bush foi agredido na prisão, diz juiz
Responsável do caso diz que iraquiano tem hematomas no rosto, mas não apresentou queixa formal de agressão
O jornalista iraquiano que lançou seus sapatos no presidente dos EUA, George W. Bush, mostra sinais de que foi agredido, segundo informou nesta sexta-feira, 19, o juiz investigador responsável pelo caso. Veja também: Gesto de repórter iraquiano é retrato do fim da era Bush Assista ao vídeo da AP com incidente Veja seqüencia de fotos com a sapatada O juiz Dhia al Kinani disse que Muntadar al-Zaidi teria hematomas nos olhos e em outras partes do rosto. Kinani afirmou ainda que funcionários da corte "assistirão à gravação do incidente para identificar aqueles que bateram nele". O repórter foi imobilizado após lançar os sapatos em Bush no domingo, quando o líder norte-americano concedia entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. Bush desviou da sapatada. No início da semana, o irmão de Muntadar, Dhargham, afirmou que ele teve a mão e as costelas quebradas por conta do espancamento e teria sofrido sangramento interno e um ferimento no olho. Outro irmão relatou que o jornalista parecia em boas condições.Muntadar permanece detido e pode ser acusado de insultar um presidente estrangeiro, crime que pode acarretar em até 15 anos de prisão. O juiz afirmou que o jornalista não apresentou uma queixa formal sobre possíveis agressões. Ele também confirmou que o repórter escreveu uma carta pedindo desculpas ao premiê pelo incidente. Na quinta, um porta-voz de Maliki afirmou que Muntadar descreveu seu comportamento como "um ato feio" e pediu ao premiê que o perdoasse. "É muito tarde agora para lamentar o grande e feio ato que eu pratiquei", escreveu Al-Zeidi, de acordo com Majid. Segundo ele, Muntadar lembrou na carta uma entrevista que Maliki lhe concedeu em 2005, quando convidou o repórter para ir à sua casa e disse: "Entre, esta também é a sua casa". Milhares de iraquianos realizaram manifestações pela libertação de Muntadar. Em outro países árabes também houve protestos contra a prisão. O juiz disse que a investigação será encerrada e enviada a uma corte criminal no domingo. Em seguida será estabelecida a data para uma audiência no caso. Na capital iraniana, Teerã, o aiatolá linha-dura Ahmad Jannati elogiou o ato durante as preces desta sexta-feira, qualificando-o como a "Intifada do sapato". Jannati sugeriu que as pessoas carregassem sapatos durante as manifestações contra os EUA. Também nesta sexta-feira, o pai de uma grande família da Cisjordânia afirmou que oferecia uma das suas filhas para se casar com o jornalista solteiro. O palestino Ahmad Salim Judeh, de 75 anos, disse também que seu clã, com em torno de 500 membros, havia recolhido US$ 30 mil para a defesa do jornalista.
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