Retirada do Iraque não pode comprometer avanços, diz Bush
No aniversário de 5 anos da invasão, presidente afirma que perda de vidas compensa o fim do regime de Saddam
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, declarou nesta quarta-feira, 19, que rejeitará retiradas adicionais de soldados enviados ao Iraque caso isso coloque em risco os ganhos de segurança obtidos recentemente no país. A opinião do presidente americano foi emitida durante um discurso para marcar o quinto aniversário da invasão do Iraque por forças estrangeiras lideradas pelos Estados Unidos.
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Durante o balanço sobre a guerra do Iraque, que nesta quinta-feira completa cinco anos, Bush afirmou que o final do regime de Saddam Hussein valeu a pena apesar do alto custo econômico e de vidas. "Ninguém pode discutir que esta guerra teve um alto custo em vidas e em dinheiro, mas estes custos eram necessários quando consideramos o custo que teria a vitória de nossos inimigos no Iraque", declarou o presidente americano em discurso pronunciado no Pentágono.
Bush afirmou que derrubar "Saddam Hussein do poder foi a decisão correta e que esta é uma guerra que os EUA podem e devem vencer". Ele sinalizou ainda que não pretende ordenar novas reduções de contingente em abril, quando os integrantes do alto escalão das Forças Armadas americanas divulgarão um novo relatório sobre a situação no Iraque. O líder americano argumentou que o aumento do ritmo da retirada poderia comprometer os progressos obtidos pelo envio de 30 mil soldados adicionais ao Iraque no ano passado. O presidente disse a uma platéia de comandantes militares, soldados e diplomatas que os EUA chegaram "longe demais para permitir que isso aconteça". Segundo Bush, qualquer retirada neste momento serviria apenas para fortalecer a Al-Qaeda e o Irã.
Com menos de 11 meses para o fim do seu segundo mandato e taxas de aprovação perto do nível mínimo da sua presidência, Bush está tentando angariar apoio para a impopular guerra, que prejudicou a credibilidade dos EUA no exterior e que deve definir o legado dele.
Em 2003, os EUA invadiram o Iraque sob alegação de que o regime do ditador Saddam Hussein desenvolvia armas de destruição em massa e além disto tinha ligações com a rede terrorista fundamentalista islâmica Al-Qaeda. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas e na semana passada um estudo do Pentágono provou que não havia ligação entre o regime secularista do Partido Baath, de Saddam, e a Al-Qaeda.
Segundo estimativas conservadoras, feitas pelo Ministério da Saúde do Iraque, 151 mil pessoas foram mortas no conflito de março de 2003 a junho de 2006. Outras cinco milhões de pessoas viraram refugiadas. Informações do Exército dos EUA indicam que 3,990 militares americanos foram mortos no conflito até a semana passada. A guerra custou pelo menos US$ 500 bilhões aos contribuintes americanos.
As pessoas contrárias à guerra ridicularizaram o presidente devido à assertiva prematura dele, feita em maio de 2003, sobre "as grandes operações de combate" no Iraque terem chegado ao fim. Bush disse isso durante um evento realizado no porta-aviões USS Abraham Lincoln, quando se postou debaixo de uma faixa na qual se lia a seguinte mensagem: "Missão Cumprida".
Informado sobre o resultado da pesquisa durante uma entrevista concedida ao programa "Good Morning America", do canal ABC, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, em Omã após ter visitado o Iraque, afirmou: "E daí?" Para então acrescentar: "Acredito que não podemos perder o rumo pautado pelas flutuações das pesquisas de opinião." A guerra custou aos EUA, até agora, US$ 500 bilhões. Dezenas de milhares de iraquianos foram mortos e milhões mais tiveram de abandonar suas casas. Quase 4 mil soldados dos EUA perderam a vida, bem como 175 militares do Reino Unido e 134 de outros países.
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