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Rússia precisa 'renovar democracia', mas aos poucos, diz Putin

Em artigo, premiê afirma que país não deve adotar 'receita estrangeira' apressadamente

06 de fevereiro de 2012 | 8h 53
Reuters

MOSCOU - A Rússia precisa dar mais poder político para sua população, mas não deve seguir apressadamente as receitas estrangeiras de democracia, afirmou o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em um artigo publicado nesta segunda-feira, 6, um mês antes da eleição presidencial na qual é franco favorito.

Putin é favorito nas eleições presidenciais de março - Yana Lapikova/RIA Novosti/AP
Yana Lapikova/RIA Novosti/AP
Putin é favorito nas eleições presidenciais de março

Enfrentando os maiores protestos de oposição de seus 12 anos de governo, enquanto se prepara para retornar ao Kremlin, Putin reconheceu em um artigo na primeira página do diário Kommersant que muitos russos querem ter mais voz.

Mas ele não anunciou nenhuma iniciativa de reforma eleitoral, mostrando que pretende se movimentar cautelosamento em seu mandato de seis anos e manter o pulso firme no sistema político que domina desde que foi eleito presidente pela primeira vez, em 2000.

"Nossa sociedade atualmente é completamente diferente do que era no início de 2000. Muitas pessoas estão se tornando mais ricas, mais educadas e mais exigentes", escreveu Putin, atribuindo-se o crédito pelas melhorias econômicas desde que assumiu o poder.

"Nossa sociedade civil tornou-se incomparavelmente mais madura, ativa e responsável", afirmou Putin, que foi espião da KGB. "Precisamos renovar os mecanismos de nossa democracia - eles precisam alcançar as crescentes atividades públicas." Entretanto, ele complementou: "A real democracia não é criada em um instante e não pode ser copiada de um modelo externo."

Putin não mencionou o movimento de protestos na ruas, que irrompeu em dezembro e mostrou que se mantém forte quando no sábado dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas no centro de Moscou atrás de uma faixa que dizia "Rússia Sem Putin!". Os protestos se intensificaram após suspeitas de fraudes do partido de Putin nas eleições parlamentares, em 4 de dezembro.