Rússia se diz 'decepcionada' com decisão nuclear do Irã
Para chanceler russo, maior enriquecimento de urânio aumenta 'dúvidas' sobre Teerã.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse nesta terça-feira que o país está "decepcionado" com a decisão do Irã de iniciar o enriquecimento de urânio a 20%.
Segundo Lavrov, a decisão "aumenta as dúvidas sobre a sinceridade" do governo iraniano em relação ao seu programa nuclear, que Teerã diz ser pacífico, e ainda viola resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Horas antes da declaração de Lavrov, o chefe do conselho de segurança nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, também expressou a preocupação do país quanto à ampliação do enriquecimento de urânio no Irã.
"Ações como começar a enriquecer urânio pouco enriquecido a 20% levantam dúvidas em outros países e essas dúvidas são bem fundamentadas", disse ele a jornalistas em Moscou.
"Os métodos políticos e diplomáticos são importantes para uma resolução, mas há um limite para tudo", afirmou, acenando que o país poderia aprovar novas sanções contra o Irã.
Enriquecimento
O chefe do programa nuclear do Irã, Ali Akbar Salehi, afirmou que o país iniciou o processo de enriquecimento de urânio a 20% nesta terça-feira, conforme havia sido anunciado no final de semana.
Segundo a agência de notícias estatal Irna, o processo teria começado na usina de Natanz na presença de inspetores internacionais.
Um porta-voz da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou que inspetores da organização estiveram presentes em Natanz nesta terça-feira, mas que os primeiros relatórios das atividades devem ser divulgados apenas na próxima semana.
Atualmente o Irã enriquece urânio em um nível de 3,5%, mas são necessários 20% para o funcionamento do reator nuclear de Teerã, desenhado para produzir isótopos para fins medicinais. Para construir uma bomba atômica, é necessário ter urânio enriquecido em pelo menos 95%.
Mesmo com urânio ainda pouco enriquecido, analistas afirmam que a decisão do governo iraniano deixa o país mais perto da capacidade de se produzir uma bomba nuclear.
Reações
Além da Rússia, outros países também expressaram preocupação sobre o início das atividades de enriquecimento de urânio no Irã.
O presidente dos Estados Unidos disse nesta terça-feira que a comunidade internacional está se mobilizando "rapidamente" para impor novas sanções ao país.
Ele elogiou a resposta da Rússia ao "mau comportamento" iraniano, mas disse que ainda não está claro como a China, também membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, responderia a uma tentativa de impor as sanções.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, disse que novas sanções podem ser necessárias, mas descartou uma ação militar contra o país.
"Se o Irã continuar indisponível para negociar, as discussões no âmbito das Nações Unidas não poderão ser evitadas, e teremos que discutir novas medidas, e essas incluem um aumento nas sanções", disse.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, concordou com a necessidade de se impor sanções mais rigorosas contra o país e disse que a comunidade internacional deve tratar com seriedade a "neutralização" das ameaças impostas pelo país.
Na segunda-feira, mesmo antes do início do processo de enriquecimento, os governos dos Estados Unidos e da França já haviam proposto sanções "mais duras" contra o Irã.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o secretário de Defesa americano, Robert Gates "concordaram que chegou a hora de adotar sanções duras, na esperança de que o diálogo será reiniciado", disse um oficial da presidência francesa após o encontro das duas autoridades em Paris.
O Conselho de Segurança da ONU já impôs três rodadas de sanções contra o Irã numa tentativa de fazer com que o país paralise todas as atividades de enriquecimento de urânio.
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