Sanções na ONU não vão deter programa nuclear, diz Irã
Teerã eleva grau de enriquecimento de urânio em meio a ameaças de punições pelas potências ocidentais
O porta-voz do ministério de Assuntos Exteriores do Irã, Ramin Mehmanparast, disse nesta terça-feira, 9 que novas sanções não impedirão que o país siga em frente com seu programa nuclear. Hoje, Teerã deu início ao enriquecimento de urânio a 20% em seus reatores, ignorando uma proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para fazê-lo no exterior, o que diminuiria o risco de uso militar do programa nuclear

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Não vamos abandonar nosso programa nuclear pacífico", afirmou durante uma entrevista coletiva concedida esta manhã em Teerã. O porta-voz disse ainda que as resoluções contra o Irã não serão capazes de solucionar problemas, mas provocarão vários aos países que as aprovarem".
"Se pensam que com estas resoluções o povo iraniano dará um passo atrás (em seu programa nuclear), estão enganados", acrescentou. Mehmanparast afirmou que políticas desse tipo aplicadas contra o Irã nos últimos 31 anos fracassaram, já que os países que as adotaram "não conhecem bem o povo iraniano".
Enriquecimento de urânio

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A produção de urânio enriquecido a 20% começou na usina atômica de Natanz. Segundo o vice-presidente Ali Akbar Salehi,que também é chefe do programa nuclear do país, Teerã interromperá o enriquecimento de urânio quando outras potências fornecerem combustível nuclear a seu país, conforme previsto em um acordo esboçado em outubro com a AIEA.
No anúncio , o vice-presidente iraniano informou que uma cascata de 164 centrífugas está sendo destinada ao processo de enriquecimento. "Ela (a cascata) pode produzir de 3kg a 5kg por mês de urânio enriquecido a 20% para o reator de Teerã", afirmou. "É o dobro da nossa necessidade, já que o reator de Teerã precisa de 1,5kg" de combustível nuclear, prosseguiu.
O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível utilizado no funcionamento de usinas nucleares. Caso esteja enriquecido a mais de 90%, o urânio pode ser usado em armas atômicas.
Antes do processo iniciado nesta terça, o Irã vinha produzindo havia anos urânio enriquecido a 3,5%, em desafio a três pacotes de sanções aprovados pelo Conselho de Segurança da ONU.
Com informações da Reuters e da Efe
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