Sarkozy condena Hamas e pressiona por trégua em Gaza
Na Cisjordânia, presidente francês reúne com Abbas; líder palestino pede cessar-fogo 'sem condições'
O presidente francês Nicolas Sarkozy disse nesta segunda-feira, 5, que as ações do Hamas são "irresponsáveis e imperdoáveis". Em um esforço diplomático para tentar terminar a violência na Faixa de Gaza, o chefe de Estado pediu em Ramallah um cessar-fogo, assim como o líder palestino Mahmoud Abbas, que disse que a trégua deve ser "imediata e sem condições." O Hamas respondeu em seguida, acusando Sarkozy de "parcialidade total" em favor de Israel. "Nós, da Europa, queremos um cessar-fogo o quanto antes. O tempo trabalha contra a paz. As armas devem calar e deve haver uma trégua humanitária temporal", continuou o chefe de Estado da França, unindo-se às negociações que buscam uma trégua em Gaza, enquanto Israel continua a ofensiva que já matou pelo menos 530 palestinos e feriu mais de 2.500. Para Sarkozy, o Hamas agiu de forma irresponsável e imperdoável ao não renovar a trégua que expirou em 19 de dezembro com Israel e retomar os disparos de foguetes contra o território de Israel. "O Hamas carrega uma responsabilidade pesada pelo sofrimento dos palestinos em Gaza", acrescentou. Veja também: Israel permite ajuda humanitária em Gaza ONU defende direito de palestinos fugir para outro país Hamas abre frente diplomática para negociações Roberto Godoy: Tropa de elite invade Gaza Correspondente do 'Estado' fala sobre a ofensiva Roberto Godoy: Israel usa bombas de fósforo Blog de Gustavo Chacra, direto de Israel Guterman: Israel e a guerra que não será vencida Região não terá paz com invasão e bombardeios Ação militar israelense é legítima Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques Abbas ainda excluiu qualquer possibilidade de aproveitar a ofensiva israelense contra o Hamas para retomar o controle da Faixa de Gaza, de onde seu partido, o Fatah, foi expulso em junho de 2007, no caso de uma derrota do grupo islâmico. "É impensável que trabalhemos para que o Hamas seja destituído com o fim de substituí-lo. Não aceitaremos que a pátria seja reunificada pela força das armas", afirmou. "Isso se dará unicamente através do diálogo". Para o Hamas, as declarações de Sarkozy se traduzem em uma "parcialidade total em favor de Israel", segundo afirmou à AFP o porta-voz do grupo Fawzi Barhum, "e um chamamento franco para que prossiga o Holocausto em curso em Gaza" O presidente francês ainda se reunirá com líderes importantes da região, tanto árabes quanto israelenses, em uma negociação que se desenvolve simultaneamente a outra da UE e que vem precedida de outros esforços parecidos. Sarkozy seguirá também para Jerusalém para conversar com as máximas autoridades israelenses, e na terça-feira viajará à Síria e ao Líbano, a fim de seguir analisando as opções em dois países que são essenciais para qualquer acordo regional. A viagem do presidente francês se soma a outra iniciada no domingo à noite no Cairo, uma missão da União Européia liderada pelo ministro checo de Relações Exteriores, Karl Schwarzenberg. Esta delegação reuniu-se também com Mubarak, antes de Sarkozy e, assim como ele, partiu depois para Jerusalém, para conversar com as autoridades israelenses. Tanto no Egito como em Israel, a missão liderada pelo ministro checo insistiu na necessidade de conseguir "o mais rápido possível" um cessar-fogo em Gaza e que se abram as passagens na fronteira para aliviar a situação humanitária de seus habitantes. "A União Européia, nesta etapa crítica na região, está mobilizada em colaborar com um cessar-fogo o mais rápido possível", disse no Egito o chefe da diplomacia européia, Javier Solana, que faz parte da delegação européia. Ele afirmou ainda que os supervisores europeus que estiveram durante um tempo na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito retomarão suas tarefas tão logo haja um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. Benita Ferrero-Waldner, comissária de Relações Exteriores da UE, disse que a delegação quer que os hospitais de Gaza possam funcionar de maneira apropriada, mas para isso há a necessidade de um cessar-fogo imediato. Sem observadores internacionais Ainda nesta segunda-feira, Israel rejeitou propostas da Europa relativas à presença de observadores internacionais na Faixa de Gaza após um eventual cessar-fogo. Em vez disso, o Estado judeu defendeu a existência de equipes responsáveis por ajudar a buscar e fechar túneis que possam levar o Hamas a se rearmar. A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, uma das principais candidatas a primeiro-ministro nas eleições de 10 de fevereiro, disse não ver razão para uma força de observação e monitoramento, uma das várias propostas feitas por potências européias na tentativa de conseguir uma trégua para o conflito em Gaza, que já dura dez dias. Não vejo como isso possa ajudar", disse Livni a jornalistas durante entrevista coletiva, em meio a visitas de lideranças européias. Em vez dessa proposta, segundo autoridades israelenses envolvidas nas conversas, Israel quer que qualquer missão internacional na região da fronteira entre Gaza e Egito se concentre em evitar que o Hamas restabeleça uma rede de túneis subterrâneos que pode ser usada para o contrabando de foguetes e outras armas. Livni disse ainda que Israele stá "exercendo seu direito legítimo de se defender" com a operação militar na Faixa de Gaza. Em entrevista coletiva em Jerusalém, a também candidata presidencial disse que o país tenta "mudar a equação". "O Hamas atinge Israel e Israel mostra comedimento - essa não será mais a equação", afirmou a ministra. "Enquanto o Hamas controla Gaza, não aceita os pedidos da comunidade internacional - e parte disso é a visão de dois Estados - isso é um obstáculo". A ministra também apontou que existem aqueles que "não podem aceitar a idéia de viver em paz" no Oriente Médio. "O Hamas faz escolhas: ele trabalha com o Irã, obtém armas do Irã, tem seus quartéis-generais em Damasco e trabalha com o Hezbollah", disse, referindo-se ao grupo militante xiita libanês. Livni disse ainda que Israel trabalha com agências internacionais de auxílio para diminuir a crescente crise humanitária em Gaza. Segundo ela, os militares israelenses tentam evitar mortes de civis, porém o Hamas "se esconde entre (os civis)". Matéria ampliada às 16h25.
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