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Sarkozy enfrenta protestos por aposentadorias e combustível

22 de maio de 2008 | 14h 30
CRIS - REUTERS

Os sindicatos franceses promoveram

grandes manifestações nacionais na quinta-feira para protestar

contra os planos do presidente Nicolas Sarkozy de aumentar o

tempo de trabalho mínimo que dá direito à aposentadoria plena.

Ao mesmo tempo, pescadores bloquearam portos para protestar

contra os preços dos combustíveis.

As disputas são um problema para o governo de

centro-direita, que prometeu modernizar o Estado francês,

marcado por altos gastos, mas que constantemente se choca com a

cultura nacional de protestos.

Numa rara demonstração de unidade, os oito maiores

sindicatos da França convocaram seus filiados a ir às ruas em

dezenas de cidades para denunciar a decisão do governo de

exigir que os empregados trabalhem 41 anos antes de se

aposentar, contra os 40 anos previstos hoje.

"Quarenta anos já é tempo demais", gritaram manifestantes

no início de um protesto em Paris.

"Não mexa com minha aposentadoria", gritaram outros.

Os sindicatos estimam que centenas de milhares de pessoas

sairam às ruas em todo o país, mas, na fase atual, não parece

haver disposição para uma greve geral.

Os transportes públicos nas maiores cidades francesas,

Paris e Lyon, foram pouco afetados. A maioria dos serviços

ferroviários continuou, e poucos vôos tiveram suas decolagens

atrasadas.

As ferrovias do sistema SNFC disseram que 25 por cento de

seus empregados estão em greve, e a estatal de eletricidade EDF

disse que 13,6 por cento de sua força de trabalho deixou de

trabalhar. As escolas também permaneceram abertas, de modo que

a maior parte da França funcionou.

Mas muitos portos ficaram paralisados, em parte por uma

greve de 24 horas de trabalhadores que combatem os planos de

privatização de parte do sistema de docas estatal e em parte

por pescadores que protestam contra a alta dos preços dos

combustíveis, que penaliza suas margens de lucro.

Um ano após a eleição de Sarkozy, numa plataforma de

reformas econômicas abrangentes, seu índice de aprovação caiu

vertiginosamente em função dos receios quanto ao custo de vida

e da desaprovação suscitada por seu estilo de governo

intempestivo, às vezes bombástico.

O primeiro grande confronto entre Sarkozy e os sindicatos

se deu em novembro passado, quando trabalhadores dos

transportes fizeram uma greve de nove dias contra os planos de

acabar com as pensões especiais de alguns funcionários do setor

estatal. A batalha acabou sendo ganha pelo governo.



Tópicos: FRANÇA, PROTESTOS