Sarkozy promete mudar panorama econômico da França
O presidente da França, Nicolas Sarkozy,
disse na terça-feira estar determinado a modificar o panorama
econômico do país, a despeito do ambiente internacional, e
manifestou esperanças de que em 2008 acabará a jornada semanal
de 35 horas de trabalho.
Num momento em que o preço do petróleo e a crise no crédito
imobiliário norte-americano turvam o cenário econômico mundial,
Sarkozy afirmou em entrevista coletiva que são fatores
domésticos que freiam o crescimento francês.
"A situação internacional é menos boa do que poderíamos
esperar. Mas se não fosse este problema haveria outro, e, de
qualquer forma, o que podemos fazer a respeito? O que queremos
fazer, com crise do 'subprime' ou não, com um clima
internacional medíocre ou não? Liberar as forças do trabalho na
França", disse Sarkozy.
"O problema da França é conhecido, não temos trabalho
suficiente, enquanto os outros trabalham mais. O que as
hipotecas 'subprime' têm a ver com isso?", completou.
Mesmo com uma recente queda em sua popularidade, Sarkozy
não abre mão da sua cruzada contra a jornada de 35 horas
semanais, um tema considerado tabu. A medida foi adotada há uma
década, num governo socialista, e Sarkozy disse em resposta a
um jornalista que acredita que será revista neste ano.
Os sindicatos reagiram imediatamente.
"O presidente finalmente disse o que sua política está
fazendo, ou seja, o fim da semana de 35 horas de trabalho. Na
verdade, sua política vai bem mais longe, e ele quer um fim a
qualquer limite legal ao tempo de trabalho", disse o sindicato
Force Ouvrière.
Sucessivos governos de centro-direita vêm adotando medidas
que contrariam as 35 horas semanais, e há agora uma proposta
para isentar algumas empresas desse limite, em troca de
aumentos salariais.
Henri Guaino, assessor de Sarkozy, disse a uma rádio após a
coletiva que a jornada oficial de 35 horas não será alterada,
mas que "será possível, setor por setor, empresa por empresa,
com acordos da maioria, desviar-se dessa regra".
Sarkozy também afirmou que gostaria que os dividendos das
empresas fossem mais bem divididos entre acionistas e
empregados, por meio da distribuição de ações aos funcionários,
por exemplo.
A oposição socialista criticou Sarkozy por ter evitado, nas
duas horas de entrevista, propostas concretas para grandes
preocupações dos franceses, como a queda no poder aquisitivo.
Sarkozy preocupou-se em esvaziar esses ataques de antemão.
"O poder aquisitivo é uma expectativa, mas não é a única
coisa. Reduzir o debate político apenas à questão do poder
aquisitivo é absurdo", afirmou.
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