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Sarkozy promete mudar panorama econômico da França

08 de janeiro de 2008 | 19h 26
SWAHA PATTANAIK - REUTERS

O presidente da França, Nicolas Sarkozy,

disse na terça-feira estar determinado a modificar o panorama

econômico do país, a despeito do ambiente internacional, e

manifestou esperanças de que em 2008 acabará a jornada semanal

de 35 horas de trabalho.

Num momento em que o preço do petróleo e a crise no crédito

imobiliário norte-americano turvam o cenário econômico mundial,

Sarkozy afirmou em entrevista coletiva que são fatores

domésticos que freiam o crescimento francês.

"A situação internacional é menos boa do que poderíamos

esperar. Mas se não fosse este problema haveria outro, e, de

qualquer forma, o que podemos fazer a respeito? O que queremos

fazer, com crise do 'subprime' ou não, com um clima

internacional medíocre ou não? Liberar as forças do trabalho na

França", disse Sarkozy.

"O problema da França é conhecido, não temos trabalho

suficiente, enquanto os outros trabalham mais. O que as

hipotecas 'subprime' têm a ver com isso?", completou.

Mesmo com uma recente queda em sua popularidade, Sarkozy

não abre mão da sua cruzada contra a jornada de 35 horas

semanais, um tema considerado tabu. A medida foi adotada há uma

década, num governo socialista, e Sarkozy disse em resposta a

um jornalista que acredita que será revista neste ano.

Os sindicatos reagiram imediatamente.

"O presidente finalmente disse o que sua política está

fazendo, ou seja, o fim da semana de 35 horas de trabalho. Na

verdade, sua política vai bem mais longe, e ele quer um fim a

qualquer limite legal ao tempo de trabalho", disse o sindicato

Force Ouvrière.

Sucessivos governos de centro-direita vêm adotando medidas

que contrariam as 35 horas semanais, e há agora uma proposta

para isentar algumas empresas desse limite, em troca de

aumentos salariais.

Henri Guaino, assessor de Sarkozy, disse a uma rádio após a

coletiva que a jornada oficial de 35 horas não será alterada,

mas que "será possível, setor por setor, empresa por empresa,

com acordos da maioria, desviar-se dessa regra".

Sarkozy também afirmou que gostaria que os dividendos das

empresas fossem mais bem divididos entre acionistas e

empregados, por meio da distribuição de ações aos funcionários,

por exemplo.

A oposição socialista criticou Sarkozy por ter evitado, nas

duas horas de entrevista, propostas concretas para grandes

preocupações dos franceses, como a queda no poder aquisitivo.

Sarkozy preocupou-se em esvaziar esses ataques de antemão.

"O poder aquisitivo é uma expectativa, mas não é a única

coisa. Reduzir o debate político apenas à questão do poder

aquisitivo é absurdo", afirmou.



Tópicos: FRANCA, SARKOZY, ECONOMIA