Segregação de mulheres por ultraortodoxos gera protestos em Israel
Estopim das manifestações é o caso de menina que sofre agressões por parte de extremistas

TEL AVIV - Milhares de israelenses protestaram nesta terça-feira, 27, na cidade de Beit Shemesh, próxima a Jerusalém, contra judeus ultraortodoxos que querem segregar homens e mulheres.
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O estopim dos protestos foi o caso de Naama Margolis, uma menina de 8 anos que vem sofrendo agressões por parte de ultraortodoxos no caminho para a escola.
Margolis, que pertence a uma família religiosa moderada, diz ter medo de percorrer os 300 metros que separam sua casa da escola, por ser frequentemente agredida por grupos de ultraortodoxos que a acusam de se vestir de maneira "indecente".
Os supostos agressores já teriam xingado a menina de "prostituta", cuspido e a empurrado. A mãe de Naama diz que o trauma causado foi tão profundo que a garota treme quando tem de ir para a escola.
Indignação
A história da menina, divulgada na última sexta feira pelo canal 2 da TV israelense, causou indignação geral no país, trazendo à tona um problema que se alastra por várias cidades de Israel, em regiões nas quais há grandes concentrações de judeus ultraortodoxos.
Nesta terça-feira, os manifestantes ergueram cartazes com os dizeres "Beit Shemesh não será Teerã", e pediram que as autoridades do país mudem a atitude em relação à segregação das mulheres, passando a tratar o fenômeno como crime.
Em Beit Shemesh, assim como em Jerusalém, Bnei Brak, Tzfat e Elad, há calçadas separadas para mulheres, linhas de ônibus nas quais as mulheres devem sentar-se atrás dos homens e filas separadas em bancos e clinicas médicas.
A segregação é praticada há anos e conta com a aquiescência do governo. O Ministério dos Transportes permite a existência das linhas de ônibus nas quais é praticada a segregação e as prefeituras, subordinadas ao Ministério do Interior, autorizam placas nas ruas que guiam as mulheres para uma calçada e os homens para outra.
No entanto, a história de Naama sensibilizou a opinião pública e o fenômeno da segregação, que já existe há anos, começou a ser contestado com mais veemência. A repercussão do caso incentivou várias outras famílias, de outras cidades, a revelar agressões semelhantes.
Força política
Os ultraortodoxos são cerca de 12% da população judaica de Israel, mas possuem grande representação política, pois os partidos que os representam fazem parte da coalizão governamental.
O ministro do Interior, Eli Ishai, do partido ultraortodoxo Shas, condenou a violência contra as mulheres em Beit Shemesh.
"Esse comportamento contradiz os valores da Torá (leis religiosas judaicas) e da tradição, os responsáveis pertencem a uma pequena minoria de provocadores", afirmou o ministro, ao qual o prefeito de Beit Shemesh, Moshe Abutbul - também pertencente ao partido Shas - é subordinado.
O primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou que a segregação das mulheres é um fenômeno "negativo que contradiz os valores democráticos que caracterizam o Estado de Israel".
O presidente Shimon Peres também condenou a segregação e declarou que "ninguém tem o direito de ameaçar qualquer menina ou mulher adulta, eles (os ultraortodoxos) não são os donos do país". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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