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Síria diz que pedido da Liga Árabe por missão de paz é 'histeria'

Representante do governo sírio disse que árabes estão desesperados por apoio da ONU; Iraque diz que militantes da Al-Qaeda estão no país.

12 de fevereiro de 2012 | 22h 51

A Síria rejeitou neste domingo a decisão da Liga Árabe de pedir ao Conselho de Segurança da ONU por uma missão de paz conjunta entre as duas organizações para pôr fim à violência no país.

A decisão foi tomada em uma reunião dos ministros de Relações Exteriores da Liga no Cairo.

Os ministros de Relações Exteriores também concordaram em cortar toda a cooperação com o governo sírio e abrir um canal de comunicação com a oposição no país.

No entanto, enviado de Damasco disse que o governo sírio "rejeita categoricamente" a decisão, que aconteceu uma semana depois que uma resolução do Conselho de Segurança foi vetada pela Rússia e pela China.

O secretário-geral da Liga Árabe, o general Nabil el-Arabi, disse na reunião que é chegado o momento de uma ação decisiva para acabar com o sofrimento do povo sírio.

A Liga retirou sua missão observadora da Síria no mês passado, já que o governo do presidente Bashar Al-Assad continuou com a violenta repressão aos protestos mesmo na presença dos monitores.

'Histeria'

Em um comunicado divulgado após a reunião no Cairo, representantes dos países da Liga Árabe disseram que iriam "pedir ao Conselho de Segurança da ONU para emitir uma decisão sobre a formação de uma missão de paz conjunta entre a ONU e a Liga Árabe para supervisionar a implementação de um cessar-fogo".

No entanto, o embaixador sírio na Liga Árabe, Youssef Ahmad, rejeitou a resolução, dizendo que ela "reflete a histeria destes governos" após uma tentativa fracassada de conseguir o apoio do Conselho de Segurança.

O comunicado pedia ainda pela "abertura de canais de comunicação com a oposição síria e o fornecimento de todas as formas de apoio político e material a ela".

Um representante da Liga disse à BBC que a resolução foi aprovada pela maioria dos ministros de Relações Exteriores da organização.

A Assembleia Geral da ONU discutirá a situação da Síria na próxima segunda-feira. Não há poder de veto da Assembleia Geral, mas suas resoluções não tem força legal como as do Conselho de Segurança.

Isolamento

O correspondente da BBC no Cairo, Jeremy Bowen, diz que a resolução contém a linguagem mais dura direcionada à Síria pela Liga Árabe até o momento, o que torna mais provável a volta do assunto ao Conselho de Segurança.

O fato de que oa países árabes estejam considerando estes movimentos mostra a extensão do isolamento do regime sírio, segundo Bowen.

Na tarde deste domingo, um ministro do governo iraquiano disse à BBC que a Al-Qaeda e outros grupos militantes instruiram seus homens a deixarem o Iraque para realizar algumas atividades na Síria.

Horas antes, o líder da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, manifestou apoio ao levante contra o governo de Bashar Al-Assad, mas instou a oposição síria a não confiar na ajuda da Liga Árabe ou do Ocidente.

Enquanto isso, relatos dizem que o bombardeio da cidade de Homs, à oeste do país, continua após um breve intervalo durante a noite de sábado e a manhã deste domingo. Ativistas dizem que quatro pessoas foram mortas.

De acordo com os grupos, mais de 400 pessoas foram mortas desde que as forças de segurança deram início a um ataque em áreas dominadas pela oposição no último sábado.

Grupos de direitos humanos dizem que mais de 7 mil pessoas morreram no país desde março de 2011. O governo afirma que pelo menos 2 mil membros das forças de segurança foram mortas combatendo "gangues armadas e terroristas".

Uma explosão de carros bomba que matou 28 pessoas na cidade de Aleppo, na última sexta-feira, foi condenada pela oposição. No entanto, oficiais americanos acreditam que a Al-Qaeda pode estar por trás do ataque, segundo relatos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.