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Sobrevivente de queda de avião passou mais de 12h no mar

Jovem de 14 anos conta ao pai como esperou pelo resgate no Índico sem saber nadar e sem colete salva-vidas

01 de julho de 2009 | 8h 25

 "Papai, caímos na água. Ouvia pessoas falando perto de mim, mas não podia ver nada. Estava tudo escuro ao meu redor". Foi assim que Baya Bakari, a adolescente de 14 anos e única sobrevivente entre as 153 pessoas que estavam a bordo do Airbus A310 da companhia aérea estatal do Iêmen Yemenia, contou ao pai sobre o acidente e como esperou nas águas pelo resgate. A jovem passou mais de 12 horas no mar sem saber nadar e sem colete salva-vidas.

Baya se recupera num hospital de Moroni, nas Ilhas Comores - Reprodução/ LCI
Reprodução/ LCI
Baya se recupera num hospital de Moroni, nas Ilhas Comores

Said Mohammed, um enfermeiro do hospital em que a jovem está hospitalizada, afirmou que ela está se recuperando bem. Médicos dizem que ela sofreu apenas cortes no rosto e teve uma clavícula quebrada, mas está fora de perigo. O pai de Baya, Kassim Bakari, falou com a filha mais velha por telefone depois do acidente. A adolescente e a mãe embarcaram de Paris para visitar a família no arquipélago. "Ela não sentiu nada e descobriu-se dentro d'água", disse Bakari à rádio francesa RTL.

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Em entrevista para uma rede francesa, o pai afirmou que a filha chorou bastante após o resgate e perguntou pela mãe, sem saber que está morta. "Quando conversamos por telefone, Baya perguntou onde estava a mãe. Dissemos que ela está viva, mas em no quarto ao lado, para não traumatizá-la". "Ela é uma garota muito tímida, eu nunca pensei que ela fosse escapar dessa maneira," disse Bakari, descrevendo a menina como "frágil".

O homem que resgatou Baya disse que a adolescente se agarrou a um pedaço do avião por várias horas até ser resgatada. Ela não usava um colete salva-vidas e quase não sabia nadar. O homem disse que ela estava muito fraca para segurar à bóia que foi jogada para a menina e que teve que se jogar na água para salvá-la.

Alain Joyandet, ministro francês para Cooperação Internacional, disse que ela se segurou num pedaço do avião das 1h30 da madrugada até as 15h da terça-feira, quando fez sinais para um bote que passava e foi resgatada. "Ela demonstrou uma incrível força física e moral", disse ela. Joyandet disse que a adolescente será enviada para a França na noite desta quarta-feira e levada a um hospital de Paris assim que chegar. "Fisicamente, ela está fora de perigo, mas evidentemente ela está muito traumatizada", disse ele.

O voo partiu de Paris, fez escala em Marselha, na costa francesa, e pousou em Sanaa, capital do Iêmen. Lá, os passageiros trocaram de avião e embarcaram no Airbus A-310, que fez uma escala em Djibuti, antes de seguir para Comores. Entre os passageiros, havia ao menos 66 franceses, além de canadenses, etíopes, marroquinos, iemenitas e palestinos.

O sinal de uma das duas caixas-pretas do avião da companhia aérea Yemenia que caiu no Oceano Índico na terça-feira foi captado por um avião militar francês, disse à BBC Brasil a porta-voz do ministro francês da Cooperação, Alain Joyandet, nesta quarta-feira, em Comores. "Às 4h30 da tarde (de terça-feira), hora local (9h30, hora de Brasília), foi captado o sinal de uma das balizas da caixa-preta, a 40 quilômetros da costa e a 300 metros de profundidade", afirmou.

Segundo a porta-voz, nos próximos dias será montada uma operação com mergulhadores para procurar a caixa-preta. Ela ressaltou, no entanto, que não existe nenhuma garantia de que a baliza ainda esteja acoplada à caixa-preta - ela pode ter se soltado com o impacto da queda da aeronave. "Hoje a prioridade é continuar a busca por corpos e destroços do avião. Nós iremos procurar a caixa-preta assim que possível, nos próximos dias."