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Socialista Bachelet está muito perto de ganhar eleição no Chile

12 de dezembro de 2013 | 15h 18
ANTONIO DE LA JARA E ALEXANDRA ULMER - Reuters

A ex-presidente Michelle Bachelet se encaminha para recuperar a Presidência do Chile, no domingo, com um audacioso programa de reformas para corrigir as desigualdades sociais no país que é o maior exportador de cobre do mundo.

A socialista Bachelet conseguiu 46,6 por cento dos votos no primeiro turno das eleições, há um mês, e de acordo com analistas não deve ter dificuldades para superar novamente a adversária conservadora Evelyn Matthei, que ficou com 25,01 por cento dos votos na primeira votação.

Bachelet, de estilo amável e caloroso, quer entrar para a história como a presidente que diminuiu a enorme distância entre ricos e pobres no Chile através de uma revolução na educação pública financiada por uma milionária reforma tributária.

Essa é a parte relativamente fácil. Bachelet poderá encontrar muito mais resistência para rescrever a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet, que limita a formação de maiorias no Congresso e dificulta o governabilidade.

"Temos duas opções neste domingo: uma que busca mudanças e a outra que se opõe a elas," disse Bachelet, uma médica de 62 anos, que governou o país entre 2006 e 2010.

Sua promessa de melhorias sociais seduziu muito os chilenos, que não se sentem beneficiados pelas riquezas naturais do Chile, uma das nações mais estáveis da América Latina.

Matthei, de temperamento mais confrontador, concorre com a desvantagem de ter entrado tarde na corrida presidencial. Além disso, a ex-ministra do Trabalho não conseguiu convencer a maioria dos chilenos a apoiar a continuidade das políticas liberais do presidente Sebastián Piñera, que está de saída.

Depois do primeiro turno, a candidata de direita, rejuvenesceu sua equipe de campanha para tentar conquistar os eleitores de centro e diminuir a diferença com Bachelet.

"Se você votou em mim e trouxer alguém que não votou no primeiro turno, sim, é possível!," disse Matthei em um anúncio de rádio.

A aposta da candidata é melhorar o nível de participação nas primeiras eleições com voto voluntário no Chile. Em novembro, metade dos 13,6 milhões de cidadãos habilitados votaram.

Para a maioria dos analistas, o resultado da eleição está traçado lançada e resta apenas saber qual o nível de apoio que Bachelet terá.

"Acho que o objetivo dela é (conseguir) mais de 60 por cento, um pouco acima dos 65 por cento é muito bom," disse Kenneth Bunker, analista político da Universidade Diego Portales, em Santiago. "Qualquer coisa abaixo de 55 por cento seria um resultado ruim para ela".

Além de escolher entre esquerda e direita, os chilenos escolherão entre as filhas de dois generais da Força Aérea que estiveram em lados opostos durante o golpe militar de Pinochet, em 1973, um período que ainda divide os chilenos.

O pai de Bachelet se manteve leal ao presidente deposto, Salvador Allende, e morreu na prisão. O de Matthei chegou a integrar a junta de Pinochet.

Bachelet foi presa e torturada depois do golpe e foi para o exílio, como dezenas de milhares de chilenos. Durante seu primeiro governo, o Chile se estabeleceu como uma das economias de sucesso da América Latina, e agora Bachelet quer encurtar a distância social que ainda existe.

Para financiar a educação gratuita, Bachelet prometeu uma reforma fiscal que pretende arrecadar cerca de 8,2 bilhões de dólares adicionais com um aumento dos impostos corporativos e com o fim de benefícios a empresas.



Tópicos: CHILE, ELEICOES*

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