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Soldados franceses têm de continuar no Afeganistão, diz Sarkozy

20 de agosto de 2008 | 9h 01
ELIZABETH PINEAU - REUTERS

O presidente da França, Nicolas Sarkozy,

afirmou na quarta-feira que os soldados franceses precisam

continuar no Afeganistão para lutar contra o terrorismo.

A declaração surgiu um dia depois de insurgentes terem

matado 10 militares do país europeu, na maior baixa sofrida por

forças estrangeiras em um combate ocorrido no território afegão

desde 2001.

Os soldados foram mortos em uma grande batalha iniciada

quando insurgentes do Taliban emboscaram uma patrulha francesa

a apenas 60 quilômetros da capital Cabul, na segunda-feira.

O combate alimentou temores de que os militantes estejam

chegando cada vez mais perto da cidade.

"A melhor forma de continuarmos fiéis a nossos camaradas é

continuarmos a trabalhar, levantar a cabeça, sermos

profissionais", disse Sarkozy a militares franceses em uma base

localizada na periferia de Cabul.

"Não tenho dúvidas a esse respeito. Temos de continuar

aqui."

Sarkozy enviou um contingente adicional de 700 soldados

para o Afeganistão, neste ano, respondendo a apelos dos EUA

para que os países-membros da Organização do Tratado do

Atlântico Norte (Otan) ajudassem mais no combate ao Taliban,

que ganha força.

Isso elevou para cerca de 2.600 o número de soldados

franceses presentes no território afegão.

"Quero dizer-lhes com toda a clareza: se isso tivesse de

ser realizado novamente, eu o faria", afirmou.

Segundo Sarkozy, o trabalho feito pelos soldados é vital.

"Uma parte da liberdade do mundo está em jogo aqui. É aqui

que a luta contra o terrorismo está sendo travada",

acrescentou. "Não estamos aqui para enfrentar os afegãos.

Estamos ao lado dos afegãos para não deixá-los sozinhos diante

da barbárie."

Em uma visita que durou apenas algumas horas, Sarkozy

primeiro homenageou os soldados mortos. Depois, visitou os 21

militares franceses feridos na batalha e então, antes de deixar

o país, conversou com o presidente do Afeganistão, Hamid

Karzai.

Karzai disse estar "tremendamente triste e abalado" com as

mortes e apresentou suas condolências ao povo francês.

A morte de 10 soldados foi a pior baixa sofrida pelo

Exército francês em um único incidente desde que, em 1983, no

Líbano, 58 pára-quedistas foram mortos em um atentado suicida.

E é a pior baixa sofrida em um combate com forças inimigas

desde o fim da guerra na Argélia, em 1962.



Tópicos: FRANCA, SARKOZY, AFEGANISTAO