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Talebans pedem libertação de presos em troca de sul-coreanos

Reféns são 21 missionários cristãos sul-coreanos, em sua maioria mulheres; dois homens já foram mortos

11 de agosto de 2007 | 8h 17
Efe

Os talebans exigiram neste sábado, 11, a libertação de rebeldes presos para soltar os 21 sul-coreanos seqüestrados desde 19 de julho, numa reunião com uma delegação da Coréia do Sul, na cidade de Ghazni, no leste do Afeganistão.

 

As conversas começaram na sexta, às 18h15 (10h45 de Brasília), na sede do Crescente Vermelho em Ghazni. A cidade é capital da província de mesmo nome, onde os insurgentes seqüestraram 23 missionários sul-coreanos, em sua maioria mulheres.

 

Participam das negociações dois delegados da insurgência taleban, apontados por seu Conselho Supremo, e uma missão enviada por Seul para resolver o seqüestro, com a "mediação" de um representante de Cabul.

 

O porta-voz insurgente Mohammed Yousif Ahmadi disse à Efe por telefone que as negociações começaram na sexta e recomeçaram na manhã deste sábado. O tema inicial é a proposta de libertação de um primeiro grupo de oito presos talebans.

 

Os talebans já executaram dois reféns, ambos homens. Eles exigem a retirada das tropas sul-coreanas destacadas no Afeganistão, já anunciada para o fim do ano, e a libertação de insurgentes presos.

 

"Quando os primeiros oito presos forem libertados, entregaremos outra lista de oito, até completar a troca pelos reféns", acrescentou Ahmadi. Ele acredita que haverá resultados ainda hoje.

 

Os dois negociadores talebans falaram à imprensa em Ghazni, deixando claro que não soltarão os seus reféns se o governo afegão não libertar um número igual de prisioneiros insurgentes.

 

"Como um primeiro passo para uma solução amigável, queremos a libertação de oito prisioneiros capturados pelo Governo afegão", disse o mulá Bashir, citado pela agência afegã Pajhwok. Ele acusou o Governo de não cumprir uma promessa de libertar 24 presos talebans.

 

O outro negociador do grupo insurgente, o mulá Nasrullah, se mostrou satisfeito com o andamento das conversas. Ele espera que as negociações dêem resultado "em um ou dois dias".

 

Em Seul, o porta-voz da Presidência, Cheo Ho-seon, disse hoje que a libertação dos reféns é possível. Mas acrescentou que, por questões de segurança, não daria detalhes das conversas por enquanto.

 

O Governo sul-coreano voltou a lembrar que não pode negociar a libertação de nenhum taleban, pois a decisão cabe ao Governo afegão, que oficialmente descarta a hipótese.

 

Representantes do Governo provincial de Ghazni e do Ministério do Interior afegão, consultados hoje pela Efe, se recusaram dar informações sobre o conteúdo das negociações ou a participação de algum representante oficial afegão.

 

A Pajhowk informou na sexta a participação de um "mediador" do Governo no encontro, Waheedullah Mujaddidi. Ele disse estar "otimista" e prometeu "boas notícias" para esta manhã, que porém não chegaram.

 

Cabul promete "fazer o possível" para conseguir a libertação dos sul-coreanos, mas sempre dentro dos limites da "lei e da Constituição".

 

O Governo afegão recebeu críticas em abril passado, quando reconheceu que tinha libertado vários presos talebans em troca do jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, seqüestrado por um grupo insurgente.

 

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse que aquele tinha sido um caso muito particular e que nunca voltaria a permitir uma troca.

 

Os sul-coreanos são voluntários cristãos que foram capturados quando viajavam de ônibus entre Kandahar e Cabul, uma das rotas mais perigosas do país.




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