Tawakul Karman, a ativista que ousou enfrentar o presidente do Iêmen
Iemenita já era conhecida por organizar manifestações e acampamentos contra o governo desde 2007
SANAA - A iemenita Tawakul Karman foi anunciada nesta sexta-feira, 7, como uma das vencedoras do Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo político, que durante anos a levou a defender os direitos humanos em seu país até se transformar em um ícone da oposição contra o regime.

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Em seu acampamento na praça de Al Tahir em Sanaa, Karman quase não tem tempo para seu protesto diário contra o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, já que não deixa de responder as ligações telefônicas e saudar aos transeuntes e chefes tribais que se aproximam.
Antes que a oposição a Saleh iniciasse a revolta na qual o Iêmen se encontra imerso desde o último dia 29 de janeiro, esta mulher nascida em 1979 já era conhecida por organizar manifestações e acampamentos contra o governo desde 2007.
Família
Casada e com três filhos, Karman coordena o chamado Conselho dos Jovens da Revolução Árabe e é presidente da organização Mulheres Jornalistas Sem Correntes, que criou em 2005.
"Sou uma cidadã do mundo, a terra é minha pátria e a humanidade é minha nação", escreveu Karman no seu perfil do Facebook, que utiliza, da mesma forma que outros sites, para divulgar sua luta pelas liberdades e pelos direitos humanos.
Protestos
Principal cabeça do movimento opositor, a ativista foi presa antes mesmo do início dos protestos, no último dia 24 de janeiro, mas pouco depois foi liberada e voltou a se manifestar contra o regime.
Tanto que no dia 29 de janeiro já participou de uma nova manifestação, além de colaborar para o chamado "Dia da Raiva" no dia 3 de fevereiro, similar aos que haviam inspirado as revoltas árabes no Egito e na Tunísia. Porém, no dia 17 de março, voltou a ser presa.
Como se fossem uma premonição, seus artigos publicados em 2006 e 2007 já anunciavam a explosão revolucionária no Iêmen, o que acabou causando sua prisão.
Atualmente, esses textos são reeditados pelos jornais partidários da revolução e lidos por uns cidadãos que clamam pela saída de Saleh.
Karman, que se define ideologicamente como moderada, faz parte do Partido da Reforma Islâmica (Al Islah), braço político do grupo conservador Irmandade Muçulmana e principal força política opositora.
Ativismo
A ativista veste o tradicional véu islâmico, ou "hiyab", em vez do "niqab" que cobre todo o corpo e que é muito comum neste país profundamente conservador, apesar das críticas dos radicais islâmicos.
Sua vocação de jornalista já lhe pôs em 2007 contra as autoridades, que se negaram a conceder uma licença de rádio e imprensa para sua organização feminista e não demorou em receber ameaças de morte por telefone.
Até agora, Karman era mais conhecida no Iêmen que no exterior, apesar de ter recebido, em maio de 2010 em Nova York, o Prêmio Internacional de Mulheres com Valor.
Jornalista, ativista e mãe, esta iemenita obtém agora a máxima distinção mundial no terreno da paz no momento em que a situação no Iêmen se encaminha cada vez mais para uma guerra civil.
Ela, enquanto isso, continua acreditando na revolução pacífica.
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