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Turquia dialoga com conselho de oposição da Síria

18 de outubro de 2011 | 14h 39
DOMINIC EVANS - REUTERS

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmed Davutoglu, reuniu-se pela primeira vez com líderes da oposição na Síria, pedindo que eles usem meios pacíficos, apesar da grande ofensiva das forças leais ao presidente Bashar al-Assad na cidade de Homs.

A conversa de Davutoglu com o Conselho Nacional Sírio na noite de segunda-feira, relatada por um funcionário do Ministério das Relações Exteriores turco, seguiu-se a uma ameaça da Síria de agir com firmeza com qualquer país que reconheça formalmente o conselho.

A Turquia era um país aliado de Assad, mas os laços ficaram estremecidos quando o presidente sírio respondeu com a força aos protestos contra seu governo.

"A reunião é o primeiro passo em direção à Turquia reconhecer o Conselho Nacional; eles não estão muito preocupados com a reação do regime porque a relação já foi rompida", disse o analista libanês Hilal Khashan.

A formação do conselho foi bem recebida por países do Ocidente, como Estados Unidos e França.

Entretanto, diferentemente do conselho de transição formado pelos rebeldes líbios que derrubaram Muammar Gaddafi, os governos ocidentais não ofereceram ao CNS nenhum reconhecimento formal, temendo que uma guerra civil desestabilize a região.

As conversações de Davutoglu com a oposição também se seguiram a novos sinais de que o levante contra o governo de Assad se tornou mais militante, após sete meses. Um grupo de oposição relatou o assassinato na terça-feira de um oficial da inteligência na província de Idlib, no norte do país.

Davutoglu disse ao conselho que "a oposição síria deve empregar meios pacíficos e legítimos para expressar suas demandas justas e trabalhar de maneira pacífica para manter a união da oposição e pela transformação democrática."

A Turquia permitiu que os opositores de Assad se reúnam em cidades turcas desde o início dos protestos anti-Assad, em março, e também ofereceu proteção aos militares sírios mais seniores que desertaram.

OPOSIÇÃO EM HOMS

A reunião de Davutoglu seguiu-se a um dos dias mais violentos em Homs, cidade da região central da Síria que tem observados alguns dos maiores protestos contra Assad.

Moradores afirmaram que forças sírias, com o apoio de tanques, mataram ao menos 25 pessoas em uma incursão contra um reduto da oposição, 140 quilômetros ao norte de Damasco, com vistas a reprimir a resistência armada contra a repressão de Assad ao levante que já dura sete meses.

Homs fica perto da fronteira com o Líbano, que começou a servir como uma linha de abastecimento para os insurgentes na cidade e seus arredores, incluindo os desertores do Exército que têm aumentado em número desde que a repressão se intensificou há dois meses.

Na terça-feira, soldados cercaram distritos da cidade e faziam buscas por desertores na zona rural, afirmaram moradores.

"Os mártires serão cremados hoje, então estamos esperando mais mortes. Uma boa parte das vítimas de ontem ocorreu em funerais", afirmou um morador.

Inspirados pelas revoltas da "Primavera Árabe" que derrubaram regimes autocratas na Tunísia, Egito e Líbia, os protestos se espalharam pela Síria exigindo a saída da família Assad e mais liberdades políticas.

Autoridades sírias culpam "grupos terroristas armados" pela violência, que eles dizem ter matado 1.100 homens do Exército e da polícia e ter seu centro em Homs, causando a morte de civis e figuras proeminentes.

Jornalistas estrangeiros estão proibidos de trabalhar em grande parte da Síria, tornando difícil a confirmação independente dos eventos relatados por moradores ou o governo.

A ONU diz que a repressão de Assad já matou 3.000 pessoas em toda a Síria desde março, incluindo pelo menos 187 crianças.

(Reportagem adicional de Khaled Oweis em Amã, Tulay Karadeniz em Ancara)


Tópicos: TURQUIA, SIRIA, CONSELHO*