UE decidirá individualmente sobre presos de Guantánamo
Cada membro irá avaliar se receberá ex-detidos; bloco pede que EUA justifiquem porquê não mantê-los no país
A transferência de presos da base militar de Guantánamo aos países da União Europeia (UE) será decidida "exclusivamente" por cada Estado-membro do bloco, ainda que deva haver coordenação entre Europa e Estados Unidos para provar porquê essas pessoas não podem voltar a seus países de origem, informou a UE nesta quinta-feira, 26. "Concordamos que a responsabilidade primária para encontrar uma solução cabe aos EUA", disse em nota a presidência checa e a Comissão Europeia ao final de uma reunião com ministros do Interior dos 27 países em Bruxelas. Veja também: Abuso em Guantánamo piorou sob Obama, diz advogado Pentágono pede relaxamento de regras de Guantánamo Saiba mais sobre a base naval de Guantánamo "Devemos trabalhar de forma intensa, e ao mesmo tempo determinar as bases para um enfoque coordenado, que respeite as competências nacionais dos Estados membros", continuou o comunicado. A UE não deve tomar nenhuma decisão sobre a questão antes da viagem do comissário europeu de Justiça, Jacques Barrot, e o ministro checo do Interior, Ivan Langer, a Washington, em 16 e 17 de março. "Nada pode fazer um país aceitar presos de Guantánamo", declarou Langer em entrevista coletiva em Bruxelas, destacando que se um membro da UE resolver receber um preso, será primordial "a informação compartilhada" com os outros Estados. Nesse sentido, poderiam ser impostas restrições para a movimentação, revelou Barrot. Além disso, a administração americana deverá justificar "por que não mantém esses ex-detidos em seu território se são inocentes", continuou o comissário europeu, referindo-se ao "grau de culpabilidade" das pessoas que permanecem na prisão para suspeitos de terrorismo. O presidente americano Barack Obama assinou em 22 de janeiro um decreto que determina o fechamento da prisão, localizada em Cuba, em 12 meses. Cerca de 245 detentos de todo o mundo permanecem no local. Organizações de defesa dos direitos humanos e a Anistia Internacional (AI) pediu aos países da UE que recebam cerca de 60 presos.
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