União Européia apóia plano para monitorar trégua na Geórgia
Os chanceleres da União Européia
aceitaram em princípio na quarta-feira o envio de monitores
para supervisionar o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia na
região separatista da Ossétia do Sul.
"Estamos determinados a agir no território", disse o
chanceler da França, Bernard Kouchner, ao final de uma reunião
de emergência. Paris mediou a trégua e preside a UE neste
semestre.
"A UE deve estar preparada para se envolver, inclusive no
território, no apoio a todos os esforços, incluindo os da ONU e
da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa),
em prol de uma resolução duradoura e pacífica dos conflitos na
Geórgia", disse nota conjunta dos ministros participantes, que
também prometeram uma pronta ampliação da ajuda humanitária.
A Finlândia, presidente de turno da OSCE, propôs ampliar de
200 para 300 o número de monitores dessa organização
pan-européia na Geórgia. Mas os ministros deixaram claro que
qualquer missão de paz européia mais ampla exigiria uma
resolução do Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia tem
poder de veto.
Kouchner, que acompanhou o presidente Nicolas Sarkozy na
viagem de mediação à Rússia, na terça-feira, disse em
entrevista coletiva que está convencido de que Moscou aceitaria
a presença dos europeus e de outros.
Já o chanceler sueco, Carl Bildt, mostrou-se cético quanto
a isso. "Não há sinais de que a Rússia deixe ninguém mais
entrar (na Ossétia do Sul). Não vejo realmente isso acontecer
-- no momento os russos estão firmemente no controle."
Os chanceleres da Otan se reúnem na próxima terça-feira
para discutir a proposta norte-americana de rever as relações
estratégicas com Moscou diante da intervenção russa na Geórgia.
O chefe da política externa da UE, Javier Solana, disse que
aproveitará a próxima reunião ministerial dos chanceleres, no
começo de setembro, para sugerir o envio de tropas de paz
européias.
A chanceler georgiana, Ekaterine Tkeshelashvili, foi a
Bruxelas pedir apoio da UE e Otan e disse que as forças russas
continuam atacando a cidade de Gori, fora do território da
Ossétia do Sul.
Ele agradeceu a UE pelo apoio à integridade territorial do
seu país e pelo interesse em enviar tropas e paz. Mas pediu o
estabelecimento de um cronograma e uma condenação mais firme
das ações russas.
"Temos uma sensação de frustração, sim, porque sentimos que
ações desse tipo têm de ser abertamente condenadas. Mas ao
mesmo tempo entendo... A Europa tenta ser a mediadora, talvez
seja difícil pôr a culpa (na Rússia)."
Moscou colocou tropas na Ossétia do Sul depois que Tbilisi
ocupou militarmente o território, uma região separatista,
etnicamente diversa, que pertence formalmente à Geórgia, mas
desde o começo da década passada goza de autonomia sob proteção
russa.
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