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União Européia apóia plano para monitorar trégua na Geórgia

13 de agosto de 2008 | 15h 22
INGRID MELANDER E DAVID BRUNNSTROM - REUTERS

Os chanceleres da União Européia

aceitaram em princípio na quarta-feira o envio de monitores

para supervisionar o cessar-fogo entre Rússia e Geórgia na

região separatista da Ossétia do Sul.

"Estamos determinados a agir no território", disse o

chanceler da França, Bernard Kouchner, ao final de uma reunião

de emergência. Paris mediou a trégua e preside a UE neste

semestre.

"A UE deve estar preparada para se envolver, inclusive no

território, no apoio a todos os esforços, incluindo os da ONU e

da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa),

em prol de uma resolução duradoura e pacífica dos conflitos na

Geórgia", disse nota conjunta dos ministros participantes, que

também prometeram uma pronta ampliação da ajuda humanitária.

A Finlândia, presidente de turno da OSCE, propôs ampliar de

200 para 300 o número de monitores dessa organização

pan-européia na Geórgia. Mas os ministros deixaram claro que

qualquer missão de paz européia mais ampla exigiria uma

resolução do Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia tem

poder de veto.

Kouchner, que acompanhou o presidente Nicolas Sarkozy na

viagem de mediação à Rússia, na terça-feira, disse em

entrevista coletiva que está convencido de que Moscou aceitaria

a presença dos europeus e de outros.

Já o chanceler sueco, Carl Bildt, mostrou-se cético quanto

a isso. "Não há sinais de que a Rússia deixe ninguém mais

entrar (na Ossétia do Sul). Não vejo realmente isso acontecer

-- no momento os russos estão firmemente no controle."

Os chanceleres da Otan se reúnem na próxima terça-feira

para discutir a proposta norte-americana de rever as relações

estratégicas com Moscou diante da intervenção russa na Geórgia.

O chefe da política externa da UE, Javier Solana, disse que

aproveitará a próxima reunião ministerial dos chanceleres, no

começo de setembro, para sugerir o envio de tropas de paz

européias.

A chanceler georgiana, Ekaterine Tkeshelashvili, foi a

Bruxelas pedir apoio da UE e Otan e disse que as forças russas

continuam atacando a cidade de Gori, fora do território da

Ossétia do Sul.

Ele agradeceu a UE pelo apoio à integridade territorial do

seu país e pelo interesse em enviar tropas e paz. Mas pediu o

estabelecimento de um cronograma e uma condenação mais firme

das ações russas.

"Temos uma sensação de frustração, sim, porque sentimos que

ações desse tipo têm de ser abertamente condenadas. Mas ao

mesmo tempo entendo... A Europa tenta ser a mediadora, talvez

seja difícil pôr a culpa (na Rússia)."

Moscou colocou tropas na Ossétia do Sul depois que Tbilisi

ocupou militarmente o território, uma região separatista,

etnicamente diversa, que pertence formalmente à Geórgia, mas

desde o começo da década passada goza de autonomia sob proteção

russa.



Tópicos: GEORGIA, UE, MONITORES