União Européia assina pacto de pré-filiação com a Sérvia
Acordo condiciona adesão ao bloco à colaboração de Belgrado com tribunal que julga crimes de guerra
A União Européia (UE) assinou nesta terça-feira, 29, um pacto de pré-filiação com a Sérvia em meio a um esforço para ajudar os partidos pró-Ocidente nas eleições previstas para o mês que vem no país balcânico. A UE, no entanto, condicionou a implementação do acordo à colaboração da Sérvia com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII). Bruxelas quer que Belgrado entregue ao tribunal sérvios suspeitos de atrocidades durante as guerras que resultaram na dissolução da Iugoslávia na década passada.
O acordo foi assinado pelos chanceleres dos 27 países do bloco e pelo vice-primeiro-ministro sérvio Bozidar Djelic durante cerimônia realizada em Luxemburgo. O ministro de Assuntos Exteriores da Sérvia, Vuk Jeremic, considerou "histórica" a assinatura do acordo. Jeremic se mostrou "seguro" de que isto se traduzirá na "rápida detenção e colocação à disposição de Haia dos poucos acusados", ainda livres no país, pelas guerras balcânicas.
O chanceler sérvio se dirigiu à imprensa após tomar conhecimento de que a UE assinaria o acordo, mas que sua aplicação estarria condicionada à plena cooperação do país com o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII). Jeremic afirmou que a implementação total do plano, e, portanto, o cumprimento desta condição estará "estreitamente relacionada" ao resultado das eleições parlamentares de 11 de maio.
Neste pleito, voltam a se enfrentar o presidente sérvio, Boris Tadic, do Partido Democrático (DS) e os ultranacionalistas pró-russos de Tomislav Nikolic, do Partido Radical Sérvio (SRS).
Com este acordo, a UE tenta respaldar a opção representada por Jeremic e Tadic em um momento de descrédito com os valores europeus na Sérvia por causa do apoio da grande maioria dos países ocidentais à independência unilateral do Kosovo. Quanto à posição da Sérvia sobre o Kosovo, Jeremic afirmou que Belgrado continuará usando os meios legais, políticos e diplomáticos a sua disposição para seu retorno à soberania sérvia.
O ministro negou que o acordo assinado seja "uma casca de ovo vazio" por causa da condição de cooperar com o TPII, imposta por Holanda e Bélgica, e afirmou que, agora, "o caminho da integração européia dos Bálcãs é irreversível". "A Justiça trabalhou muito para garantir que nossa cooperação com Haia fosse completa e inequívoca, e estou otimista de que a condição posta pela UE seja cumprida em breve", declarou.
O TPII reivindica à Sérvia, além de Ratko Mladic - ex-comandante militar dos sérvios da Bósnia -, Radovan Karadzic - ex-líder político servo-bósnio -, Goran Hadzic - que foi líder dos sérvios na Croácia - e Stojan Zupljanin - ex-chefe da Polícia local servo-bósnia de Banja Luka.
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