Uribe admite que Exército usou símbolo da Cruz Vermelha
Presidente colombiano diz que militar usou emblema por 'nervosismo'; ação é considerada crime de guerra
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, admitiu nesta quarta-feira, 16, que os militares utilizaram o símbolo da Cruz Vermelha durante sua última operação de resgate de reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Na ação, realizada no início desde mês, foi libertada a franco-colombiana Ingrid Betancourt. Veja também: Para analistas, Cruz Vermelha pode se prejudicar na Colômbia 'Não traí as Farc', diz carcereiro de Ingrid Betancourt O drama de Ingrid Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt Segundo Uribe, um alto oficial do Exército usou os emblemas "por nervosismo". "Lamentamos que isto tenha acontecido. O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, e os altos comandantes se reuniram na manhã desta quarta com o representante do CICV para dar a ele as explicações e lhe apresentar as desculpas", declarou Uribe. A CNN afirmou nesta quarta que a inteligência militar colombiana teria usado o símbolo na operação de resgate. A emissora afirma que as fotos que provam a acusação foram tiradas pouco antes do início da missão, segundo uma fonte militar confidencial, que tentava vender o material. A CNN diz que não as comprou pelo preço solicitado, pois era incapaz de verificar a autenticidade das imagens. Além das fotos, a rede americana teve acesso a um vídeo que mostra um símbolo com as palavras "Missão Internacional Humanitária". O presidente colombiano destacou que quando o helicóptero que levava os militares que participaram da Operação Xeque começou as manobras de aterrissagem, o oficial viu muitos guerrilheiros e, pelo nervosismo, colocou sobre o colete uma tela com os emblemas do CICV. "Disse que, quando o helicóptero se preparava para aterrissar, ele viu tamanha quantidade de guerrilheiros que se colocou em uma situação de muito nervosismo, que temeu por sua vida e que tirou o pedaço de tela com os símbolos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha que levava no bolso e o colocou sobre o colete", disse. A emissora de televisão americana CNN assegurou em seu site que o uso desse símbolo pode ser considerado "um crime de guerra" pela Convenção de Genebra e a legislação internacional humanitária. Ingrid Betancourt e 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram libertados em 2 de julho pelo Exército colombiano em uma operação na qual foram detidos dois rebeldes, um dos quais afirmou também ter visto emblemas do CICV durante o resgate. O Comitê, por sua parte, insistiu em repetidas ocasiões em que "não recebeu qualquer solicitação ou participou da operação", considerada um êxito pelo governo colombiano. Resposta da Cruz Vermelha
A delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) na Colômbia lembrou nesta quarta ao governo de Bogotá que os emblemas da entidade "têm que ser respeitados sob todas as circunstâncias" e não podem ser usados "de maneira abusiva."
O organismo emitiu uma nota em Bogotá pouco depois da declaração de Uribe. "Como guardiã do direito internacional humanitário, a Cruz Vermelha recorda que o uso do emblema está especificamente regulamentado por convênios em Genebra e protocolos adicionais", continuou o CICR em nota.
A Cruz Vermelha reiterou a "importância do respeito ao emblema como sinal protetor que permite a seus representantes chegar em zonas afetadas pelos conflitos armados e realizar suas atividades de proteção e assistência às vítimas." (Matéria atualizada às 16h05)
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