Venezuela, Equador e Colômbia buscam apoio do exterior
Na segunda-feira, a
Venezuela, o Equador e a Colômbia saíram em busca de apoio
internacional em meio à crise que provocou temores sobre o
início de uma guerra depois de os governos venezuelano e
equatoriano ordenarem o envio de soldados à fronteira
colombiana.
A crise iniciou-se quando a Colômbia, no fim de semana,
realizou com helicópteros e soldados um ataque contra uma área
do Equador matando um líder rebelde colombiano, em uma ação que
representou um pesado golpe contra a mais antiga guerrilha da
América Latina.
Governos de vários países, da França ao Brasil, tentaram
debelar a crise nos Andes, onde o presidente colombiano, Alvaro
Uribe, um fiel aliado dos EUA, enfrenta dois dirigentes
esquerdistas ferozmente avessos às propostas norte-americanos
de liberalização da economia.
O trânsito de veículos fluía normalmente em San Antonio,
principal posto da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. E,
apesar de os governos venezuelano e equatoriano terem anunciado
que enviariam mais soldados para a fronteira, não houve por
enquanto qualquer sinal das manobras militares.
A Colômbia afirmou que não deslocaria um contingente
suplementar de soldados para as fronteiras com a Venezuela e o
Equador.
O governo colombiano tentou nesta segunda-feira justificar
sua operação, afirmando que as leis internacionais permitem
ações do tipo contra "terroristas" e acusando o Equador de
permitir que os rebeldes da guerrilha esquerdista Forças
Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se refugiassem em
seu território.
"Nunca fomos um país propenso a tomar atitudes aventureiras
no campo da política ou no campo militar", afirmou o
vice-presidente colombiano, Francisco Santos, em Genebra.
Mas o Equador, aliado da Venezuela, disse que a Colômbia
tinha violado deliberadamente sua soberania e conclamou os
demais países da América Latina a pressionarem os dirigentes
colombianos a fim de que não se repita essa "agressão".
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu retaliar
militarmente, usando jatos de fabricação russa, caso a Colômbia
realize uma operação do tipo dentro do seu país.
Chávez fechou a embaixada venezuelana em Bogotá e o
presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou o embaixador
colombiano de Quito. Chávez, que disse haver o perigo de uma
guerra eclodir na região, e Correa chamaram Uribe de
"mentiroso."
Os títulos da dívida venezuelana e equatoriana bem como a
moeda colombiana sofreram baixas nesta segunda-feira.
"Isso aumenta os índices de risco para os três países de
forma significativa," afirmou Gianfranco Bertozzi, da Lehman
Brothers.
VIZINHOS TENTAM APLACAR CRISE
O Brasil, o peso pesado da diplomacia latino-americana,
disse que tentaria resolver o impasse e observou que a tensão
poderia desestabilizar as relações regionais.
A presidente do Chile, Michelle Bachelet, exigiu da
Colômbia que explicasse à região por que suas tropas haviam
ingressado no Equador.
"O mais importante hoje é o fato de que podemos evitar uma
escalada desse conflito", acrescentou.
A França, que se empenha em libertar reféns mantidos pelas
Farc, pediu calma aos envolvidos e disse que a morte do líder
rebelde era uma notícia ruim porque ele tinha papel fundamental
nos esforços para que fossem soltas as pessoas sequestradas.
A Colômbia pediu desculpas pela operação e tentou diminuir
as tensões.
Apesar da crise, analistas de política consideram
improvável a deflagração de uma guerra.
Chávez está mais interessado em ampliar sua base de apoio
com suas declarações contundentes e não pode arcar com o custo
de ficar sem os alimentos comprados da Colômbia. A Venezuela
enfrenta escassez de alimentos.
"Há poucas chances de um conflito armado instalar-se, já
que há muita coisa em jogo para todos os lados," disse
Bertozzi. "As tensões devem dissipar-se nos próximos dias."
(Reportagem adicional de Antonio de la Jara, em Santiago,
Patrick Markey, em Bogotá e Raymond Colitt em Brasília)
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