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Venezuela, Equador e Colômbia buscam apoio do exterior

03 de março de 2008 | 15h 20
JORGE SILVA - REUTERS

Na segunda-feira, a

Venezuela, o Equador e a Colômbia saíram em busca de apoio

internacional em meio à crise que provocou temores sobre o

início de uma guerra depois de os governos venezuelano e

equatoriano ordenarem o envio de soldados à fronteira

colombiana.

A crise iniciou-se quando a Colômbia, no fim de semana,

realizou com helicópteros e soldados um ataque contra uma área

do Equador matando um líder rebelde colombiano, em uma ação que

representou um pesado golpe contra a mais antiga guerrilha da

América Latina.

Governos de vários países, da França ao Brasil, tentaram

debelar a crise nos Andes, onde o presidente colombiano, Alvaro

Uribe, um fiel aliado dos EUA, enfrenta dois dirigentes

esquerdistas ferozmente avessos às propostas norte-americanos

de liberalização da economia.

O trânsito de veículos fluía normalmente em San Antonio,

principal posto da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. E,

apesar de os governos venezuelano e equatoriano terem anunciado

que enviariam mais soldados para a fronteira, não houve por

enquanto qualquer sinal das manobras militares.

A Colômbia afirmou que não deslocaria um contingente

suplementar de soldados para as fronteiras com a Venezuela e o

Equador.

O governo colombiano tentou nesta segunda-feira justificar

sua operação, afirmando que as leis internacionais permitem

ações do tipo contra "terroristas" e acusando o Equador de

permitir que os rebeldes da guerrilha esquerdista Forças

Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se refugiassem em

seu território.

"Nunca fomos um país propenso a tomar atitudes aventureiras

no campo da política ou no campo militar", afirmou o

vice-presidente colombiano, Francisco Santos, em Genebra.

Mas o Equador, aliado da Venezuela, disse que a Colômbia

tinha violado deliberadamente sua soberania e conclamou os

demais países da América Latina a pressionarem os dirigentes

colombianos a fim de que não se repita essa "agressão".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, prometeu retaliar

militarmente, usando jatos de fabricação russa, caso a Colômbia

realize uma operação do tipo dentro do seu país.

Chávez fechou a embaixada venezuelana em Bogotá e o

presidente do Equador, Rafael Correa, expulsou o embaixador

colombiano de Quito. Chávez, que disse haver o perigo de uma

guerra eclodir na região, e Correa chamaram Uribe de

"mentiroso."

Os títulos da dívida venezuelana e equatoriana bem como a

moeda colombiana sofreram baixas nesta segunda-feira.

"Isso aumenta os índices de risco para os três países de

forma significativa," afirmou Gianfranco Bertozzi, da Lehman

Brothers.

VIZINHOS TENTAM APLACAR CRISE

O Brasil, o peso pesado da diplomacia latino-americana,

disse que tentaria resolver o impasse e observou que a tensão

poderia desestabilizar as relações regionais.

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, exigiu da

Colômbia que explicasse à região por que suas tropas haviam

ingressado no Equador.

"O mais importante hoje é o fato de que podemos evitar uma

escalada desse conflito", acrescentou.

A França, que se empenha em libertar reféns mantidos pelas

Farc, pediu calma aos envolvidos e disse que a morte do líder

rebelde era uma notícia ruim porque ele tinha papel fundamental

nos esforços para que fossem soltas as pessoas sequestradas.

A Colômbia pediu desculpas pela operação e tentou diminuir

as tensões.

Apesar da crise, analistas de política consideram

improvável a deflagração de uma guerra.

Chávez está mais interessado em ampliar sua base de apoio

com suas declarações contundentes e não pode arcar com o custo

de ficar sem os alimentos comprados da Colômbia. A Venezuela

enfrenta escassez de alimentos.

"Há poucas chances de um conflito armado instalar-se, já

que há muita coisa em jogo para todos os lados," disse

Bertozzi. "As tensões devem dissipar-se nos próximos dias."

(Reportagem adicional de Antonio de la Jara, em Santiago,

Patrick Markey, em Bogotá e Raymond Colitt em Brasília)



Tópicos: COLOMBIA, VENEZUELA, CRISE