Viagem de Biden ao Líbano provoca críticas do Hezbollah
Grupo xiita, tido como terrorista pelos EUA e aliado do Irã, pode derrotar aliança pró-ocidental em eleição
A chegada do vice-presidente americano, Joe Biden, ao Líbano nesta sexta-feira, 22, às vésperas de uma eleição que pode tirar a coalizão pró-Ocidente do poder, suscitou críticas do partido xiita Hezbollah, um dos principais aliados do Irã no Oriente Médio, e tido como organização terrorista pelos EUA.
O Hezbollah criticou a visita de Biden, apontando-a com uma ingerência dos EUA no Líbano. A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, já estivera no país em abril.
"O alto interesse norte-americano no Líbano desperta forte suspeita quanto à real razão por trás disso, especialmente porque já se tornou uma clara e detalhada intervenção nos assuntos libaneses", disse o Hezbollah em nota.
Biden, que é a principal autoridade americana a visitar o Líbano em 26 anos, manifestou apoio à soberania do país e negou que esteja buscando influenciar uma eleição que poderá eventualmente derrubar a coalizão pró-ocidental do país. A votação do dia 7 oporá o Hezbollah à coalizão antissíria, que hoje tem maioria no Parlamento. A Síria não reconhece a independência libanesa.
O vice de Obama disse ter ido ao Líbano para demonstrar seu apoio à soberania e às instituições do país, e acrescentou que os libaneses têm de escolher seus líderes sozinhos. "Não vim aqui apoiar partido algum", disse ele a jornalistas após encontro com o presidente Michel Suleiman.
O vice-presidente afirmou que os EUA estão comprometidos com uma paz abrangente no Oriente Médio, e que isso incluiu o Líbano. "Peço àqueles que pensam em ficar ao lado dos que estragam a paz que não percam esta oportunidade de se afastar desses que a estragam", acrescentou Biden.
Ajuda militar
Biden, que neste mês visitou Sérvia e Montenegro, também deve se reunir com o primeiro-ministro Fouad Siniora e com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, antes de se juntar ao ministro da Defesa, Elias Al Murr, a fim de anunciar ajuda militar norte-americana ao país.
Desde a guerra de 2006 entre Hezbollah e Israel, os EUA ampliaram sua assistência militar ao Líbano, de modo a fortalecer as Forças Armadas do país, num contrapeso ao Hezbollah, única facção libanesa que manteve suas armas depois da guerra civil (1975-90).
A ajuda militar dos EUA ao Líbano desde 2006 supera 400 milhões de dólares. Há previsão de entrega de artilharia, tanques, aviões teleguiados, armas leves, munições e veículos.
Biden faz a primeira visita de um vice-presidente norte-americano ao Líbano desde 1983, ano em que homens-bomba xiitas atacaram a embaixada dos EUA e um quartel dos marines. Desde então, segundo a embaixada dos EUA em Beirute, nenhuma autoridade norte-americana tão importante esteve no país.
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